ESTC - Escola Superior de Teatro e Cinema
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Percorrer ESTC - Escola Superior de Teatro e Cinema por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "04:Educação de Qualidade"
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- Desafios e potenciais do uso de inteligência artificial na produção cinematográfica independente: na curta-metragem “Não contém glúten”Publication . Luccas, Juliano Geanfrancesco; Leite, PauloEste trabalho de mestrado investiga os desafios e potenciais do uso da Inteligência Artificial (IA) na produção cinematográfica independente, a partir de uma experiência prática que une criação artística e investigação académica. O estudo tem como ponto de partida a curta-metragem Não Contém Glúten, adaptada da peça homónima de Sérgio Roveri, utilizada como laboratório para testar ferramentas de IA em diferentes etapas do desenvolvimento audiovisual. Foram explorados moodboards, cenários híbridos, apoio à escrita dramatúrgica e a criação de um teaser experimental como prova de conceito. A pesquisa articula duas dimensões: a teórica, que discute o estado da arte sobre IA e cinema e reflete sobre dilemas éticos e criativos; e a prática, que documenta a integração destas tecnologias no processo autoral. Como realizador independente, enfrento restrições orçamentais e a busca por autonomia criativa, e é dessa vivência que nasce esta investigação. O objetivo é compreender como a IA pode apoiar a criação sem substituir a dimensão humana, propondo um modelo que alia rigor académico, prática artística e reflexão pessoal.
- Ensino artístico e conteúdos 3D: exploração do software blender na criação de projetos visuaisPublication . Varela, Teresa MariaO presente texto procura refletir sobre as atividades desenvolvidas nas práticas artísticas no ensino superior, centradas na exploração e experimentação do software Blender para a criação de conteúdos 3D em projetos visuais. O principal objetivo consiste em refletir sobre como integrar tecnologia e criatividade no ensino superior artístico, promovendo processos de trabalho que incentivem a investigação autónoma por parte dos estudantes, com base em temas da sua motivação pessoal. A metodologia utilizada assentou em dinâmicas dialógicas, num ambiente de aprendizagem flexível e colaborativo, envolvendo estudantes de duas turmas, ao longo de um semestre letivo, durante os últimos dois anos, uma turma em cada ano letivo. As atividades foram estruturadas em torno de projetos individuais e interdisciplinares, estimulando o desenvolvimento criativo dos estudantes e incentivando-os a pesquisar, tomar decisões e autorregular as suas ações. Num ambiente de aprendizagem onde os estudantes a par da exploração de ferramentas digitais, decidem o que e como aprender, tornando-se também eles responsáveis pela sua própria aprendizagem. Estas práticas contribuem para os estudantes afirmarem a sua autonomia e desenvolverem tanto a criatividade individual como a criatividade colaborativa. Além disso, importa identificar e compreender como algumas práticas pedagógicas podem ajudar o desenvolvimento criativo dos estudantes ou, pelo contrário, algumas ações podem constituir barreiras à criatividade, o que implicam a pessoa que leciona. Este enquadramento possibilita uma análise crítica das práticas pedagógicas adotadas pelo professor, especialmente no que diz respeito ao papel da mediação, da escuta ativa e do incentivo à autonomia. Os principais resultados demonstram que o uso de software digital, como o Blender — de acesso livre e multiplataforma — estimula a criatividade, a autoria e o diálogo entre os estudantes. A produção de conteúdos 3D revelou-se uma ferramenta versátil e eficaz para o desenvolvimento de competências artísticas e técnicas, permitindo aos estudantes estabelecerem conexões entre diferentes áreas do conhecimento. Conclui-se que as práticas pedagógicas orientadas para a experimentação tecnológica e para a valorização da autoria contribuíram significativamente para o envolvimento dos alunos, promovendo a autonomia, o pensamento criativo e o progresso do seu conhecimento enquanto agentes ativos no processo educativo. Ainda assim, a reflexão sobre esta experiência evidencia a importância de um acompanhamento contínuo por parte do professor para superar os desafios inerentes à integração tecnológica, para promover a realização de experiências que desenvolvem a expressão criativa dos estudantes, assegurando a eficácia e a relevância dessas práticas no contexto do ensino artístico contemporâneo.
- A figuração de mortos no cinemaPublication . Franco, Ricardo; Mendes, MartaEste relatório visa analisar as questões de fundo relacionadas com o Trabalho de Projeto realizado no âmbito do Mestrado em Desenvolvimento de Projeto Cinematográfico, na especialidade de Dramaturgia e Realização. O tema da investigação realizada para o desenvolvimento do projeto de curta-metragem foi a Figuração dos Mortos no Cinema e foram objeto de reflexão as seguintes obras da história do Cinema: O Fantasma Apaixonado, de Mankiewicz; Contos da Lua Vaga, de Mizoguchi; O Sexto Sentido, de Shyamalan; Orfeu, de Cocteau. A curta-metragem de ficção-narrativa Sangradores recorre ao expediente do fantasma para trabalhar a problemática do devir e da sua relação com a finitude, o amor e a identidade humana.
- Morte de Hipátia: ficção histórica-cénicaPublication . Nascimento Rosa, Armando; Ladd, AlexMorte de Hipátia coloca sob a forma de drama as circunstâncias que conduziram ao bárbaro assassinato, por fanatismo religioso, de Hipátia (370-415), filósofa pagã e astrónoma, matemática e professora, a única mulher que dirigiu, na Antiguidade, a Academia de Alexandria. É esta a data que os historiadores convencionaram (juntamente com o encerramento da Academia platónica de Atenas, em data próxima desta) para início simbólico da Idade Média. Ainda que se trate de uma livre recriação da tragédia de Hipátia, num exercício activo de imaginação dramática, procurei fidelizar alguma concordância histórica, consultando as magras fontes biográficas existentes sobre esta personalidade fascinante, bem como sobre outros rostos da época, que com ela se cruzam, e que surgem ou são nomeadas em cena, como sejam: o bispo, e ex-aluno de Hipátia, Sinésio de Cirene (que com ela se correspondeu e cujas cartas chegaram até nós), o governador Orestes, os patriarcas Teófilo e Cirilo de Alexandria, a imperatriz Pulquéria de Bizâncio, ou o gramático Paladas de Alexandria. Tal não impediu a invenção de uma série de personagens ficcionais que permitiram dotar de forma teatral algumas informações historiográficas que me pareceram imprescindíveis para uma recriação cénica com estas características. Inclui-se neste caso a figura da actriz Demétria, esposa de Orestes, cujo confronto com a protagonista proporciona uma evocação do célebre episódio de Orestes, enquanto discípulo apaixonado pela filósofa, bem como permite teatralizar os relatos que apontam uma ligação entre o crime contra Hipátia e a abertura de um teatro em Alexandria, por ordem de Orestes, no exercício do seu cargo de governador da cidade. Fazer de Orestes um dramaturgo a escrever sob o pseudónimo de Aristeu de Tebas é uma das várias invenções a que me entrego, no sentido de prestar tributo, seguindo a palavra de Aristóteles, à universalidade da poesia dramática em detrimento da particularidade do factual histórico (factualidade histórica que, neste caso, em grande parte desconhecemos). As identidades dos jovens alunos da Academia de Hipátia são também invenções em benefício da ficção dramática; sejam eles o escravo liberto Ebâneo, e o judeu Nazário, o espião Kariótis que entrega Hipátia aos sequazes de Cirilo, e a recém-chegada Estela, filha de Sinésio, que contradiz na fábula cénica a notícia biográfica de terem os dois filhos do bispo de Pentápolis morrido na infância. E se bem que os aspectos relacionados com a manutenção do casamento de Sinésio, por este exigido à Igreja para ser admitido como seu prelado, estejam historicamente documentados, o perfil humano da sua esposa, Lavínia, é aqui de minha exclusiva lavra, fazendo face à falta de dados sobre a sua realidade biográfica. Existiu uma versão inicial, publicada em 2004, sob o título de A última lição de Hipátia, com o formato de uma peça extensa em três actos, na qual a dramatização das últimas horas da filósofa de Alexandria, que constituía então o segundo acto, estabelecia um diálogo teatral com uma história de violência escolar ocorrida nos nossos dias. Resolvi agora autonomizar numa peça em um acto aquilo que dizia respeito ao tempo de Hipátia, concretizando uma intenção que alimentava há alguns anos, e que neste momento teve um motivo para acontecer, graças ao incentivo de Susan Rowland, responsável por dirigir a primeira experiência cénica que a obra conheceu, na Universidade de Cornell (Ithaca, EUA), em Agosto de 2010, na tradução inglesa de Alex Ladd. Esta é por isso uma obra inédita sem o ser inteiramente, uma vez que a intervenção fundamental que fiz foi a escrita de um prólogo e de um epílogo que conferissem autonomia dramatúrgica a esta variante breve da peça mais longa que a precedeu. Entre a criação da primeira versão em 2002 e o momento presente, registo a leitura recente que fiz da obra de Maria Dzielska, Hipatia de Alexandria (na edição portuguesa de 2009) que, entre outros aspectos argumentados, defende ser um erro de interpretação documental sustentar que Hipátia teria 45 anos de idade na data em que foi assassinada. A estudiosa polaca propõe, pela primeira vez, a tese de que ela seria bem mais anciã e contaria já 60 anos em 415, quando o crime colectivo teve lugar. Ainda que me pareça plausível a tese de Dzielska, no que respeita à revisão da data de nascimento de Hipátia (antecipada para o ano de 455), não quis desfazer-me da ficção já antes elaborada. Mantenho por isso a fábula de acordo com a tese historiográfica tradicional, que a coloca a morrer na flor dos quarenta anos de idade, tal como o cineasta espanhol Alejandro Amenábar também o viria a fazer no filme Ágora, estreado em 2009, a primeira e notável incursão cinematográfica em torno de Hipátia, na qual esta é interpretada pela actriz britânica Rachel Weisz. O ponto de partida para a escrita da peça foi o poema com que esta encerra, e que, na verdade, pré-existiu a todo o restante texto. Nele dá-se a entender, por exemplo, que o matemático Theon, pai de Hipátia, estaria ainda vivo quando a sua filha é cruelmente arrancada à vida; facto historicamente erróneo que a própria peça contraria. De facto, Demétria, em diálogo com Orestes, refere-se a Theon no passado, fazendo subentender que se trata de alguém já falecido. A personagem de Lucinda refere explicitamente a coexistência de versões divergentes do episódio da morte de Hipátia, presentes na peça e no poema. A figura possível de anima que é Lucinda foi uma máscara juvenil para a autoria da peça, que me concedeu a liberdade criativa e um distanciamento de olhar de que necessitava, no sentido de me afastar de uma reconstituição ditada apenas pela documentação histórica. Através da decisão final de Lucinda, desejei manter a divergência entre o poema e a peça a que ele deu origem, como que acentuando simbolicamente o pouco que sabemos ao certo sobre Hipátia; e daí a necessidade que senti em activar a imaginação dramática, para a poder reinventar numa ficção teatral que procura comunicar connosco pela emoção e pelo pensamento, pelo prazer lúdico da cena e pela intuição, fazedora de símbolos.
- Performance MatrioskaPublication . Almeida, Lara Massano; Franqueira, SaraPerformance Matrioska reflete criticamente sobre o estágio profissional realizado na Romance - Associação Cultural, com a artista Lígia Soares e sob a orientação científica de Sara Franqueira, no âmbito do Mestrado em Teatro - especialização em Artes Performativas. O rapport de stage analisa o acompanhamento artístico e as aprendizagens decorrentes da minha participação nos processos de conceção e exibição dos espetáculos Romance, Namoro, Morrer Pelos Passarinhos e Dressing Room. Articula a experiência prática - enquanto assistente de encenação/dramaturgia, apoio à produção e intérprete - com uma abordagem teórico-estética, investiga os modos de criação e colaboração da entidade de acolhimento e contribui para o pensamento sobre as artes performativas contemporâneas, destacando o acompanhamento como um espaço de aprendizagem, diálogo e produção de conhecimento.
- O pio da coruja: arte e resistência simbólica no capitalismo tardio - um projeto de criação teatralPublication . Sena, Martim Afonso Frausto de; Bento, DiogoO presente relatório do trabalho de projeto O pio da coruja tem como objetivo identificar a necessidade social e artística, bem como dar conta da metodologia utilizada para a génese do espetáculo O pio da Coruja a partir da obra The Political Theatre, de Erwin Piscator. Baseando-se a proposta cénica num único indivíduo a dialogar entre a atualidade e os tempos da ditadura portuguesa, tanto a peça quanto o relatório partiram da apropriação de relatos íntimos e documentos familiares, assim como de uma análise social e histórica destes dois diferentes períodos da história de Portugal.
- A propósito da lei especial para o Ensino Superior Artístico prevista no Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES)Publication . Marecos, Carlos; Fernandes, João; Cordeiro, Marta; Morais Alexandre, Paulo JorgeImpondo-se a necessidade do ensino superior artístico se reger por normas regulamentares específicas, nomeadamente abrindo a possibilidade de colaboração entre os dois subsistemas do Ensino Superior Português, como referido no Relatório Hassan, produz-se uma reflexão/proposta que fornece subsídios para a revisão do RJIES que abranja efetivamente o ensino superior artístico.
- Transcender fronteiras: o que cabe ao futuro da encenação?Publication . França, Lucas Rezende; Parreira, Francisco LuísEste trabalho analisa as transformações da encenação teatral na contemporaneidade, investigando o surgimento da dramaturgia expandida e suas relações com a performance e o corpo do ator. Aborda o papel da cidade como espaço de criação e os desafios da "globalização perversa" e da "indústria cultural" para o teatro. Propõe uma reflexão sobre a busca por um teatro que transcenda as fronteiras tradicionais e se afirme como ferramenta de transformação social e cultural.
