ESTC - Escola Superior de Teatro e Cinema
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Percorrer ESTC - Escola Superior de Teatro e Cinema por Domínios Científicos e Tecnológicos (FOS) "Humanidades::Artes"
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- Boa pergunta: teatro com um ensino especialPublication . Antunes, Rodrigo Búzio do Coito Ferreira; Wengorovius, RitaO trabalho de relatório que aqui é apresentado, tem como objetivo relatar todo o processo e pesquisa envolvida no projeto “Boa Pergunta: Teatro com um Ensino Especial”, que contou com a participação de jovens alunos entre os quinze e os dezoito anos de idade, pertencentes a uma turma de Ensino Especializado. Boa Pergunta, foi um projeto criado do zero no contexto do projeto final do Mestrado- Teatro e Comunidade. Decidi criar um espetáculo de teatro com alunos que tivessem dificuldades cognitivas e/ou físicas. Em parceria com os professores Miguel e Mariana da Escola Secundária Fernando Namora, foi criado um curto espetáculo em conjunto com os alunos de ensino especial da escola. Este projeto teve a duração de oito meses, culminando num total de trinta e cinco encontros com os alunos. Teve o seu começo em Outubro e terminou com a sua última apresentação ao público no Pequeno Auditório da Escola Superior de Teatro e Cinema no final de Maio. Usando os métodos que me foram ensinados ao longo de sete anos na minha experiência como aluno de teatro, juntei os exercícios e métodos que melhor se adaptavam ao processo. Durante o processo que foi este projeto ensinei, guiei e aprendi com esta comunidade de alunos ao longo do seu ano letivo. Como resultado das sessões, surgiu o espetáculo “Boa Pergunta”. Este projeto teve como base os termos “evolução” e “repetição”. Termos esses que são, por mim, vistos como a base do essencial do teatro. Trabalhei também com o objetivo de mostrar que esforço, dedicação, paciência e resiliência qualquer um pode fazer Teatro.
- Desafios e potenciais do uso de inteligência artificial na produção cinematográfica independente: na curta-metragem “Não contém glúten”Publication . Luccas, Juliano Geanfrancesco; Leite, PauloEste trabalho de mestrado investiga os desafios e potenciais do uso da Inteligência Artificial (IA) na produção cinematográfica independente, a partir de uma experiência prática que une criação artística e investigação académica. O estudo tem como ponto de partida a curta-metragem Não Contém Glúten, adaptada da peça homónima de Sérgio Roveri, utilizada como laboratório para testar ferramentas de IA em diferentes etapas do desenvolvimento audiovisual. Foram explorados moodboards, cenários híbridos, apoio à escrita dramatúrgica e a criação de um teaser experimental como prova de conceito. A pesquisa articula duas dimensões: a teórica, que discute o estado da arte sobre IA e cinema e reflete sobre dilemas éticos e criativos; e a prática, que documenta a integração destas tecnologias no processo autoral. Como realizador independente, enfrento restrições orçamentais e a busca por autonomia criativa, e é dessa vivência que nasce esta investigação. O objetivo é compreender como a IA pode apoiar a criação sem substituir a dimensão humana, propondo um modelo que alia rigor académico, prática artística e reflexão pessoal.
- Ensino artístico e conteúdos 3D: exploração do software blender na criação de projetos visuaisPublication . Varela, Teresa MariaO presente texto procura refletir sobre as atividades desenvolvidas nas práticas artísticas no ensino superior, centradas na exploração e experimentação do software Blender para a criação de conteúdos 3D em projetos visuais. O principal objetivo consiste em refletir sobre como integrar tecnologia e criatividade no ensino superior artístico, promovendo processos de trabalho que incentivem a investigação autónoma por parte dos estudantes, com base em temas da sua motivação pessoal. A metodologia utilizada assentou em dinâmicas dialógicas, num ambiente de aprendizagem flexível e colaborativo, envolvendo estudantes de duas turmas, ao longo de um semestre letivo, durante os últimos dois anos, uma turma em cada ano letivo. As atividades foram estruturadas em torno de projetos individuais e interdisciplinares, estimulando o desenvolvimento criativo dos estudantes e incentivando-os a pesquisar, tomar decisões e autorregular as suas ações. Num ambiente de aprendizagem onde os estudantes a par da exploração de ferramentas digitais, decidem o que e como aprender, tornando-se também eles responsáveis pela sua própria aprendizagem. Estas práticas contribuem para os estudantes afirmarem a sua autonomia e desenvolverem tanto a criatividade individual como a criatividade colaborativa. Além disso, importa identificar e compreender como algumas práticas pedagógicas podem ajudar o desenvolvimento criativo dos estudantes ou, pelo contrário, algumas ações podem constituir barreiras à criatividade, o que implicam a pessoa que leciona. Este enquadramento possibilita uma análise crítica das práticas pedagógicas adotadas pelo professor, especialmente no que diz respeito ao papel da mediação, da escuta ativa e do incentivo à autonomia. Os principais resultados demonstram que o uso de software digital, como o Blender — de acesso livre e multiplataforma — estimula a criatividade, a autoria e o diálogo entre os estudantes. A produção de conteúdos 3D revelou-se uma ferramenta versátil e eficaz para o desenvolvimento de competências artísticas e técnicas, permitindo aos estudantes estabelecerem conexões entre diferentes áreas do conhecimento. Conclui-se que as práticas pedagógicas orientadas para a experimentação tecnológica e para a valorização da autoria contribuíram significativamente para o envolvimento dos alunos, promovendo a autonomia, o pensamento criativo e o progresso do seu conhecimento enquanto agentes ativos no processo educativo. Ainda assim, a reflexão sobre esta experiência evidencia a importância de um acompanhamento contínuo por parte do professor para superar os desafios inerentes à integração tecnológica, para promover a realização de experiências que desenvolvem a expressão criativa dos estudantes, assegurando a eficácia e a relevância dessas práticas no contexto do ensino artístico contemporâneo.
- O espaço modelado: exposição de fotografiaPublication . Morais Alexandre, Paulo JorgeCatálogo da exposição de fotografia patente no Espaço Almeida Garrett, de 24 de fevereiro a 4 de abril de 2025
- Fazer de contaPublication . Conceição, Rita Maria Matos; Rosa, Armando Nascimento; Bento, DiogoEste livro reúne um conjunto de aulas experimentadas nas quais o fazer de conta se transforma em teatro e num espaço criativo, um testemunho no qual os alunos colocam as suas ideias em prática, e obedecem a ritmos diferentes de desenvolvimento e de capacidade de conclusão dos alunos e onde o Orientador/Professor deve gerir o tempo que cada aluno e grupos precisam para desenvolver e concluir os momentos teatrais. A realidade das crianças e o meio que as rodeia serve de instrumento dos seus trabalhos, acontecendo teatro a partir de um real, que é transformado em ficção quando acontece cenicamente. Tudo acontece quando este conhecer delas se junta aos jogos dramáticos referidos na bibliografia e à orientação da Professora. Este livro é dirigido aos Professores, Educadores, Atores e Monitores interessados na disciplina de expressão dramática, é uma partilha de várias experiências que convida a quem está de fora desta área, a entender melhor o que nela se passa. Pode ser um livro útil, visto existir uma ausência de informação a partir da “própria experiência”, acerca do que resulta e não resulta fazendo acontecer nas aulas práticas, onde tudo necessita ser constantemente alterado renovado e revisto. O teatro é mediatizado, mas nem sempre o público dispõe dos elementos de reflexão pedagógica-artística, feitos pelos Profissionais desta arte numa linguagem acessível, que lhe permitam formar uma opinião mais definida sobre os seus benefícios. Os desafios apresentados são discutíveis, e visam precisamente abrir a argumentação, longe de qualquer doutrina, mas sim, uma partilha, tendo em atenção o teatro e o espaço infantil no seu imaginário e o fazer de conta como um recurso nosso, que só pode ser melhorado.
- A figuração de mortos no cinemaPublication . Franco, Ricardo; Mendes, MartaEste relatório visa analisar as questões de fundo relacionadas com o Trabalho de Projeto realizado no âmbito do Mestrado em Desenvolvimento de Projeto Cinematográfico, na especialidade de Dramaturgia e Realização. O tema da investigação realizada para o desenvolvimento do projeto de curta-metragem foi a Figuração dos Mortos no Cinema e foram objeto de reflexão as seguintes obras da história do Cinema: O Fantasma Apaixonado, de Mankiewicz; Contos da Lua Vaga, de Mizoguchi; O Sexto Sentido, de Shyamalan; Orfeu, de Cocteau. A curta-metragem de ficção-narrativa Sangradores recorre ao expediente do fantasma para trabalhar a problemática do devir e da sua relação com a finitude, o amor e a identidade humana.
- Hotel ChronosPublication . Galvão, Andreia Almeida Duarte Baptista; Bento, DiogoO presente relatório tem por objeto o trabalho de projeto “Hotel Chronos” realizado no Largo Residências e na Escola Superior de Teatro e Cinema, em Lisboa. Este consistiu em ensaios, escrita dramatúrgica, na descoberta artística e na reflexão teórica. Este relatório é composto por uma descrição das entidades, dos objetivos, dos destinatários, das atividades dos projetos, de um enquadramento conceptual sobre contextos, recursos, técnicas, procedimentos e pela descrição sobre o processo.
- Lonely voidPublication . Jesus, Pedro Miguel Branco de; Bento, DiogoEste relatório trata-se da componente escrita do projeto Lonely Void, do qual também faz parte o espetáculo com o mesmo nome. Este projeto realizado no âmbito do mestrado em Artes Performativas afirma-se como um trabalho de pesquisa prática e experimentação, sendo um dos seus objetivos a conjugação cénica de diferentes e variados dispositivos, estímulos e influências. Deste modo, é assim um projeto transdisciplinar que atravessa vários meios e formas, associando-os e correlacionando-os narrativa e formalmente. A música é o ponto de partida e alicerce fundamental do projeto, onde assentam todos os outros materiais, influências e referências. O propósito é construir um objeto artístico transdisciplinar original, criando um universo narrativo apoiado maioritariamente na banda sonora do filme Under the Skin. Deste ponto de partida esclarece-se e detalha-se o processo criativo, mostrando os caminhos e ramificações das temáticas e das formas sugeridas pelo ambiente sonoro. Explica-se também que contributo têm o processo mental pessoal e determinadas memórias na idealização e construção do objeto cénico. Tendo as temáticas incidido em obsessões e pensamentos intrusivos, assim como em questões de identidade e de fragmentação do sujeito, investiga-se também que carácter performativo podem tais temas adotar em cena. A pesquisa propõe ainda o estudo sobre a conjugação de todos os elementos recolhidos, musicais, literários e imagéticos, sua encenação e apresentação em palco.
- A moda, e não só, no final do milénio: revisões da matéria dadaPublication . Morais Alexandre, Paulo JorgePropõe-se uma análise panorâmica da evolução da moda, articulada com contextos históricos, sociais, culturais e artísticos do último quartel do século XX. Partindo da ideia de que a moda reflete o seu tempo, evidencia-se como fenómenos políticos (como o pós-25 de Abril em Portugal ou o fim da Guerra Fria), transformações sociais, avanços tecnológicos e movimentos culturais influenciaram diretamente as formas de vestir e os sistemas de gosto. Estabelece-se uma leitura interdisciplinar que cruza moda com música, cinema, televisão e comportamentos sociais, mostrando como estes universos contribuíram para a construção de identidades e tendências. Destaca-se a emergência de novos criadores, centros de produção e linguagens estéticas, bem como a crescente globalização da moda, com a afirmação de polos como Paris, Londres, Milão, Nova Iorque e Japão. Simultaneamente, analisa-se o desenvolvimento do sistema da moda em Portugal, evidenciando mudanças no consumo, na criação e na indústria.
- Morte de Hipátia: ficção histórica-cénicaPublication . Nascimento Rosa, Armando; Ladd, AlexMorte de Hipátia coloca sob a forma de drama as circunstâncias que conduziram ao bárbaro assassinato, por fanatismo religioso, de Hipátia (370-415), filósofa pagã e astrónoma, matemática e professora, a única mulher que dirigiu, na Antiguidade, a Academia de Alexandria. É esta a data que os historiadores convencionaram (juntamente com o encerramento da Academia platónica de Atenas, em data próxima desta) para início simbólico da Idade Média. Ainda que se trate de uma livre recriação da tragédia de Hipátia, num exercício activo de imaginação dramática, procurei fidelizar alguma concordância histórica, consultando as magras fontes biográficas existentes sobre esta personalidade fascinante, bem como sobre outros rostos da época, que com ela se cruzam, e que surgem ou são nomeadas em cena, como sejam: o bispo, e ex-aluno de Hipátia, Sinésio de Cirene (que com ela se correspondeu e cujas cartas chegaram até nós), o governador Orestes, os patriarcas Teófilo e Cirilo de Alexandria, a imperatriz Pulquéria de Bizâncio, ou o gramático Paladas de Alexandria. Tal não impediu a invenção de uma série de personagens ficcionais que permitiram dotar de forma teatral algumas informações historiográficas que me pareceram imprescindíveis para uma recriação cénica com estas características. Inclui-se neste caso a figura da actriz Demétria, esposa de Orestes, cujo confronto com a protagonista proporciona uma evocação do célebre episódio de Orestes, enquanto discípulo apaixonado pela filósofa, bem como permite teatralizar os relatos que apontam uma ligação entre o crime contra Hipátia e a abertura de um teatro em Alexandria, por ordem de Orestes, no exercício do seu cargo de governador da cidade. Fazer de Orestes um dramaturgo a escrever sob o pseudónimo de Aristeu de Tebas é uma das várias invenções a que me entrego, no sentido de prestar tributo, seguindo a palavra de Aristóteles, à universalidade da poesia dramática em detrimento da particularidade do factual histórico (factualidade histórica que, neste caso, em grande parte desconhecemos). As identidades dos jovens alunos da Academia de Hipátia são também invenções em benefício da ficção dramática; sejam eles o escravo liberto Ebâneo, e o judeu Nazário, o espião Kariótis que entrega Hipátia aos sequazes de Cirilo, e a recém-chegada Estela, filha de Sinésio, que contradiz na fábula cénica a notícia biográfica de terem os dois filhos do bispo de Pentápolis morrido na infância. E se bem que os aspectos relacionados com a manutenção do casamento de Sinésio, por este exigido à Igreja para ser admitido como seu prelado, estejam historicamente documentados, o perfil humano da sua esposa, Lavínia, é aqui de minha exclusiva lavra, fazendo face à falta de dados sobre a sua realidade biográfica. Existiu uma versão inicial, publicada em 2004, sob o título de A última lição de Hipátia, com o formato de uma peça extensa em três actos, na qual a dramatização das últimas horas da filósofa de Alexandria, que constituía então o segundo acto, estabelecia um diálogo teatral com uma história de violência escolar ocorrida nos nossos dias. Resolvi agora autonomizar numa peça em um acto aquilo que dizia respeito ao tempo de Hipátia, concretizando uma intenção que alimentava há alguns anos, e que neste momento teve um motivo para acontecer, graças ao incentivo de Susan Rowland, responsável por dirigir a primeira experiência cénica que a obra conheceu, na Universidade de Cornell (Ithaca, EUA), em Agosto de 2010, na tradução inglesa de Alex Ladd. Esta é por isso uma obra inédita sem o ser inteiramente, uma vez que a intervenção fundamental que fiz foi a escrita de um prólogo e de um epílogo que conferissem autonomia dramatúrgica a esta variante breve da peça mais longa que a precedeu. Entre a criação da primeira versão em 2002 e o momento presente, registo a leitura recente que fiz da obra de Maria Dzielska, Hipatia de Alexandria (na edição portuguesa de 2009) que, entre outros aspectos argumentados, defende ser um erro de interpretação documental sustentar que Hipátia teria 45 anos de idade na data em que foi assassinada. A estudiosa polaca propõe, pela primeira vez, a tese de que ela seria bem mais anciã e contaria já 60 anos em 415, quando o crime colectivo teve lugar. Ainda que me pareça plausível a tese de Dzielska, no que respeita à revisão da data de nascimento de Hipátia (antecipada para o ano de 455), não quis desfazer-me da ficção já antes elaborada. Mantenho por isso a fábula de acordo com a tese historiográfica tradicional, que a coloca a morrer na flor dos quarenta anos de idade, tal como o cineasta espanhol Alejandro Amenábar também o viria a fazer no filme Ágora, estreado em 2009, a primeira e notável incursão cinematográfica em torno de Hipátia, na qual esta é interpretada pela actriz britânica Rachel Weisz. O ponto de partida para a escrita da peça foi o poema com que esta encerra, e que, na verdade, pré-existiu a todo o restante texto. Nele dá-se a entender, por exemplo, que o matemático Theon, pai de Hipátia, estaria ainda vivo quando a sua filha é cruelmente arrancada à vida; facto historicamente erróneo que a própria peça contraria. De facto, Demétria, em diálogo com Orestes, refere-se a Theon no passado, fazendo subentender que se trata de alguém já falecido. A personagem de Lucinda refere explicitamente a coexistência de versões divergentes do episódio da morte de Hipátia, presentes na peça e no poema. A figura possível de anima que é Lucinda foi uma máscara juvenil para a autoria da peça, que me concedeu a liberdade criativa e um distanciamento de olhar de que necessitava, no sentido de me afastar de uma reconstituição ditada apenas pela documentação histórica. Através da decisão final de Lucinda, desejei manter a divergência entre o poema e a peça a que ele deu origem, como que acentuando simbolicamente o pouco que sabemos ao certo sobre Hipátia; e daí a necessidade que senti em activar a imaginação dramática, para a poder reinventar numa ficção teatral que procura comunicar connosco pela emoção e pelo pensamento, pelo prazer lúdico da cena e pela intuição, fazedora de símbolos.
