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- Morte de Hipátia: ficção histórica-cénicaPublication . Nascimento Rosa, Armando; Ladd, AlexMorte de Hipátia coloca sob a forma de drama as circunstâncias que conduziram ao bárbaro assassinato, por fanatismo religioso, de Hipátia (370-415), filósofa pagã e astrónoma, matemática e professora, a única mulher que dirigiu, na Antiguidade, a Academia de Alexandria. É esta a data que os historiadores convencionaram (juntamente com o encerramento da Academia platónica de Atenas, em data próxima desta) para início simbólico da Idade Média. Ainda que se trate de uma livre recriação da tragédia de Hipátia, num exercício activo de imaginação dramática, procurei fidelizar alguma concordância histórica, consultando as magras fontes biográficas existentes sobre esta personalidade fascinante, bem como sobre outros rostos da época, que com ela se cruzam, e que surgem ou são nomeadas em cena, como sejam: o bispo, e ex-aluno de Hipátia, Sinésio de Cirene (que com ela se correspondeu e cujas cartas chegaram até nós), o governador Orestes, os patriarcas Teófilo e Cirilo de Alexandria, a imperatriz Pulquéria de Bizâncio, ou o gramático Paladas de Alexandria. Tal não impediu a invenção de uma série de personagens ficcionais que permitiram dotar de forma teatral algumas informações historiográficas que me pareceram imprescindíveis para uma recriação cénica com estas características. Inclui-se neste caso a figura da actriz Demétria, esposa de Orestes, cujo confronto com a protagonista proporciona uma evocação do célebre episódio de Orestes, enquanto discípulo apaixonado pela filósofa, bem como permite teatralizar os relatos que apontam uma ligação entre o crime contra Hipátia e a abertura de um teatro em Alexandria, por ordem de Orestes, no exercício do seu cargo de governador da cidade. Fazer de Orestes um dramaturgo a escrever sob o pseudónimo de Aristeu de Tebas é uma das várias invenções a que me entrego, no sentido de prestar tributo, seguindo a palavra de Aristóteles, à universalidade da poesia dramática em detrimento da particularidade do factual histórico (factualidade histórica que, neste caso, em grande parte desconhecemos). As identidades dos jovens alunos da Academia de Hipátia são também invenções em benefício da ficção dramática; sejam eles o escravo liberto Ebâneo, e o judeu Nazário, o espião Kariótis que entrega Hipátia aos sequazes de Cirilo, e a recém-chegada Estela, filha de Sinésio, que contradiz na fábula cénica a notícia biográfica de terem os dois filhos do bispo de Pentápolis morrido na infância. E se bem que os aspectos relacionados com a manutenção do casamento de Sinésio, por este exigido à Igreja para ser admitido como seu prelado, estejam historicamente documentados, o perfil humano da sua esposa, Lavínia, é aqui de minha exclusiva lavra, fazendo face à falta de dados sobre a sua realidade biográfica. Existiu uma versão inicial, publicada em 2004, sob o título de A última lição de Hipátia, com o formato de uma peça extensa em três actos, na qual a dramatização das últimas horas da filósofa de Alexandria, que constituía então o segundo acto, estabelecia um diálogo teatral com uma história de violência escolar ocorrida nos nossos dias. Resolvi agora autonomizar numa peça em um acto aquilo que dizia respeito ao tempo de Hipátia, concretizando uma intenção que alimentava há alguns anos, e que neste momento teve um motivo para acontecer, graças ao incentivo de Susan Rowland, responsável por dirigir a primeira experiência cénica que a obra conheceu, na Universidade de Cornell (Ithaca, EUA), em Agosto de 2010, na tradução inglesa de Alex Ladd. Esta é por isso uma obra inédita sem o ser inteiramente, uma vez que a intervenção fundamental que fiz foi a escrita de um prólogo e de um epílogo que conferissem autonomia dramatúrgica a esta variante breve da peça mais longa que a precedeu. Entre a criação da primeira versão em 2002 e o momento presente, registo a leitura recente que fiz da obra de Maria Dzielska, Hipatia de Alexandria (na edição portuguesa de 2009) que, entre outros aspectos argumentados, defende ser um erro de interpretação documental sustentar que Hipátia teria 45 anos de idade na data em que foi assassinada. A estudiosa polaca propõe, pela primeira vez, a tese de que ela seria bem mais anciã e contaria já 60 anos em 415, quando o crime colectivo teve lugar. Ainda que me pareça plausível a tese de Dzielska, no que respeita à revisão da data de nascimento de Hipátia (antecipada para o ano de 455), não quis desfazer-me da ficção já antes elaborada. Mantenho por isso a fábula de acordo com a tese historiográfica tradicional, que a coloca a morrer na flor dos quarenta anos de idade, tal como o cineasta espanhol Alejandro Amenábar também o viria a fazer no filme Ágora, estreado em 2009, a primeira e notável incursão cinematográfica em torno de Hipátia, na qual esta é interpretada pela actriz britânica Rachel Weisz. O ponto de partida para a escrita da peça foi o poema com que esta encerra, e que, na verdade, pré-existiu a todo o restante texto. Nele dá-se a entender, por exemplo, que o matemático Theon, pai de Hipátia, estaria ainda vivo quando a sua filha é cruelmente arrancada à vida; facto historicamente erróneo que a própria peça contraria. De facto, Demétria, em diálogo com Orestes, refere-se a Theon no passado, fazendo subentender que se trata de alguém já falecido. A personagem de Lucinda refere explicitamente a coexistência de versões divergentes do episódio da morte de Hipátia, presentes na peça e no poema. A figura possível de anima que é Lucinda foi uma máscara juvenil para a autoria da peça, que me concedeu a liberdade criativa e um distanciamento de olhar de que necessitava, no sentido de me afastar de uma reconstituição ditada apenas pela documentação histórica. Através da decisão final de Lucinda, desejei manter a divergência entre o poema e a peça a que ele deu origem, como que acentuando simbolicamente o pouco que sabemos ao certo sobre Hipátia; e daí a necessidade que senti em activar a imaginação dramática, para a poder reinventar numa ficção teatral que procura comunicar connosco pela emoção e pelo pensamento, pelo prazer lúdico da cena e pela intuição, fazedora de símbolos.
- A moda, e não só, no final do milénio: revisões da matéria dadaPublication . Morais Alexandre, Paulo JorgePropõe-se uma análise panorâmica da evolução da moda, articulada com contextos históricos, sociais, culturais e artísticos do último quartel do século XX. Partindo da ideia de que a moda reflete o seu tempo, evidencia-se como fenómenos políticos (como o pós-25 de Abril em Portugal ou o fim da Guerra Fria), transformações sociais, avanços tecnológicos e movimentos culturais influenciaram diretamente as formas de vestir e os sistemas de gosto. Estabelece-se uma leitura interdisciplinar que cruza moda com música, cinema, televisão e comportamentos sociais, mostrando como estes universos contribuíram para a construção de identidades e tendências. Destaca-se a emergência de novos criadores, centros de produção e linguagens estéticas, bem como a crescente globalização da moda, com a afirmação de polos como Paris, Londres, Milão, Nova Iorque e Japão. Simultaneamente, analisa-se o desenvolvimento do sistema da moda em Portugal, evidenciando mudanças no consumo, na criação e na indústria.
- O fazedor de caminhos: uma entrevista com Francisco BrazPublication . Brás, Francisco; Barata, Gonçalo; Mira, AnaA entrevista concedida pelo ator e encenador Francisco Braz (entre os amigos, Chico Braz) a Gonçalo Barata representa um testemunho sobre a sua vida no teatro e o trabalho pioneiro que desenvolveu no campo do teatro e comunidade, sobretudo como fundador do Grupo Crinabel Teatro, em 1986, no qual permaneceu largos anos como diretor artístico.
- Notas sobre o desejo de conseguir escrever acerca das coisas que andamos a fazer nas salas de ensaios, nas salas de aula e nos lugares onde se produz coletivamente investigação em artePublication . Bucchieri, Jean PaulEsta publicação é uma tentativa de passar a escrito um conjunto de reflexões sobre o ato de lecionar, de fazer investigação em arte e de encenar. Não obstante, o facto de habitar constantemente estes três planos, não me garantiu que a escrita fosse capaz de descrever o que acontece na sala de ensaio, nas aulas e no próprio gesto de escrever. Resulta evidente, que não consigo captar através da escrita o que faço nas práticas e também me escapa sempre algo quando procuro traduzir todas as reflexões teóricas produzidas no ato próprio da criação. O que escrevo nunca é realmente o que faço. E vice-versa. E ainda bem. Campos empíricos que procuram explicar-se e explicar o mundo no seu estar-a-acontecer. Investigação em Arte, o que pode significar exatamente?
- Jornadas internacionais de cenografia e figurinosPublication . Dias, Fernando Rosa; Cordeiro, Marta; Morais-Alexandre, PauloEsta edição incorpora as actas das primeiras Jornadas Internacionais de Cenografia e Figurinos (International Journeys on Scenography and Costumes). Este evento é uma primeira actividade, a que se deseja dar continuidade e que se encontra integrada num projecto mais abrangente em torno dos Estudos de Cenografia e Figurinos em Portugal (Cenography and Costume Studies in Portugal). Como síntese dos trabalhos, pretendem-se efetuar estudos de documentação e pensamento sobre a cenografia e os figurinos em Portugal, realizando exposições, jornadas de discussão e produção ensaística, e várias edições com estudos sobre a construção plástica do espetáculo em Portugal, além da preparação de um Dicionário da Cenografia e dos Figurinos em Portugal.
- A moda, e não só, no último quartel do século XX: revisões da matéria dadaPublication . Morais-Alexandre, PauloFalar da evolução da Moda e da indumentária implica falar da evolução dos tempos, das mentalidades, da cultura, da economia, dos costumes, da liberdade ou falta dela, da música que se ouve, dos filmes, da televisão, dos que influenciam. Tudo isto influencia a Moda, tudo isto a Moda reflete. A propósito da comemoração dos cinquenta anos da Galera, uma das mais emblemáticas lojas da segunda metade do século XX em Cascais, ensaia-se, à vol d’oiseau, uma revisão dos mais significativos movimentos da Moda ao longo do último quartel do século XX.
- Construção & criação: pontos de partida na criação cenográficaPublication . Calixto, JoãoO projecto "Construção Cenográfica & Criação Cénica e Fílmica" (IPL/IDI&CA2023/CCCCF_ESTC) consistiu numa investigação artística e pedagógica que pretendeu aprofundar práticas artísticas e de investigação teórica na área da cenografia, integrando-se no campo da "art-based-research". Centra-se a actividade na possibilidade de utilizar as práticas cenográficas enquanto ponto de partida de pesquisa e criação nas artes performativas e da imagem em movimento. Os textos incluídos nesta publicação focam aspectos de uma relação a estabelecer entre a prática cenográfica e os processos de criação cénica e fílmica. Incidindo principalmente na área teatral, tenta delinear um percurso de observação de algumas características constituintes do fazer cenografia.
- 3 peças de teatro infantil + 1 peça de teatro juvenilPublication . Cabral, CarlosPeças de teatro para a infância e juventude.
- Ensaios sobre teatro e outras coisasPublication . Antunes, DavidOs oito ensaios deste livro representam alguns dos meus interesses mais recorrentes, enquanto professor cujas referências são demonstrativas de uma filiação a que se poderia chamar clássica e, sobretudo, da incapacidade de separar o pensamento artístico do pensamento filosófico. São também textos que alimentam e se alimentam da prática pedagógica e, por isso, de forma direta ou indireta, são em muito devedores do privilégio de ser professor na Escola Superior de Teatro e Cinema e, em particular, dos muitos alunos com quem, nesta casa, me cruzei e espero continuar a cruzar. Pensar o teatro ou as questões que o teatro me coloca é sempre para mim um motivo para pensar ‘fora do teatro’ e, por vezes, ‘contra o teatro’. Pensar outras coisas, por outro lado, conduz-me, na maior parte dos casos e invariavelmente, ao teatro. Não creio que a arte se constitua como um regime especial ou excêntrico da atividade humana e, nesse sentido, entendo-a como uma atividade humana entre outras, querendo com isto dizer que os seus praticantes aprendem, se quiserem, a praticá-la, a pensá-la e a descrevê-la. Contudo, pensar, fazer e descrever uma atividade instável, no sentido de esta se furtar à aplicabilidade de índices de operacionalidade técnica, é estar aberto ao sucesso relativo dos pronunciamentos e das ações que possamos fazer ou realizar sobre essa atividade. Estes ensaios evidenciam essa condição e as eventuais virtudes e deméritos que possam ter decorrem da capacidade de mostrarem um pensamento em processo de se pensar e constituir.
- Portugal de 1850 a 1869: duas décadas em revistaPublication . Morais-Alexandre, PauloEnquadramento histórico dos acontecimentos mais marcantes ocorridos entre 1850 e 1869, coevos das Revistas desta época, já que estes estão objetivamente relacionados com os temas que nestas são abordados, com a certeza de que o que é levado ao palco é, no fundo, o que foi criticado pelos historiógrafos da segunda metade do século XX.
