ESTC - Dissertações de Mestrado
URI permanente para esta coleção:
Navegar
Percorrer ESTC - Dissertações de Mestrado por orientador "Baptista, Mónica"
A mostrar 1 - 3 de 3
Resultados por página
Opções de ordenação
- A apuraçãoPublication . Quintas, Francisco Miguel de Oliveira; Baptista, MónicaO presente relatório descreve ao pormenor as várias etapas do processo de desenvolvimento do meu projeto realizado no âmbito do Mestrado em Cinema, nos últimos dois anos. Além de narrar diversas inspirações e alterações criativas, contextualiza o impacto da realização do mesmo na minha vida pessoal e na minha autoavaliação. O projeto final, um argumento de longa metragem de ficção, jamais visou reger se por factos verídicos nem retratar quaisquer personalidades públicas ou históricas, mas tentou refletir, antes, o meu ponto de vista acerca de uma variedade de temas e fenómenos da atualidade. Em complemento de um universo fictício de personagens e ações, tomou somente em consideração diversos pontos de uma geografia portuguesa conhecida (nomes de ruas, de escolas, de localidades, etecetera), sem nunca ter procurado denegrir ou exaltar os mesmos. O objetivo do argumento foi enquadrar a ficção, os temas, as emoções e as perspetivas, à realidade.
- A mancha: escrita de personagens atormentados nos seus “mundos” de fantasiaPublication . Torrado, José Félix Marques; Baptista, MónicaO relatório/ensaio seguinte apresenta um conjunto de pequenas análises e reflexões sobre o processo criativo do argumento de A Mancha. A história segue um homem, Tadeu, casado e solitário, que é consumido pelo ciúme, acreditando que uma mancha no sofá é prova da infidelidade da mulher, Teresa. Isto levo-a a uma noite de fantasia e confronto com os seus tormentos interiores. A narrativa explora o ciúme como consequência da insegurança, e como isso pode levar a estados emocionais complexos que afetam a visão que a personagem tem do que a rodeia. Assim, o relatório/ensaio explora a relação entre as personagens e o espaço, e a mútua influência que exercem um no outro, partindo de teorias que vão de Gérard Gennette a T.S. Eliot. Ainda, compara A Mancha com filmes como Punch Drunk Love e After Hours na tentativa de examinar como também esses filmes retratam personagens atormentadas em "mundos" de fantasia. Este trabalho tem por objetivo tentar compreender como criar narrativas onde a visão única — o estilo — é central, focando a atenção no que me parece essencial para que isso aconteça: a interação das personagens com o espaço e os "mundos" interiores que essas personagens habitam.
- O verãoPublication . Godinho, Pedro Manuel Ceiça dos Reis; Baptista, MónicaO velho ditado diz: “o amor supera todos os obstáculos”. Será isso verdade? Com este guião, procuro demonstrar que o amor nem sempre vence. Uma história de amor (ou de amores) no último verão de 1973, na pequena vila de Alcobaça, em Portugal. Um regime fascista governa o país há quase 40 anos, ainda sob a lição de Salazar: Deus, Pátria e Família. Enquanto o mundo evolui para regimes mais democráticos e livres, Portugal esconde-se num passado cinzento, reprimindo o desejo do povo de ser livre e dono do seu destino. Portugal é um país de fortes contradições. O novo regime de Marcello Caetano promete uma abertura que acaba por se revelar uma promessa vazia. Com o aumento da censura na imprensa, nos livros, no teatro, na rádio e na televisão, e com o número de resistentes presos a atingir valores máximos, a esperança de liberdade parece mais um pesadelo do que uma realidade próxima. O guião transforma a pequena vila de Alcobaça (que podia ser qualquer vila ou cidade portuguesa) num microcosmo do Portugal de 1973. A realidade histórica, acontecimentos e factos foram alterados para melhor servir as narrativas do guião. Da resistência ao regime à guerra do Ultramar, da censura da imprensa à repressão violenta das manifestações, e da prisão daqueles que lutam pela liberdade, tudo se encontra em Alcobaça, tal como no filme "Casablanca". O guião não pretende ser a versão portuguesa desse filme, mas antes uma visão de como os jovens portugueses procuravam uma vida a cores num mundo cinzento e tentavam sobreviver a uma realidade sem esperança. Nas palavras do Capitão Renault ao Major Strasser: "Everyone comes to Rick’s". O mesmo posso dizer no guião O Verão: todos vão ao “Henry was Here” — local onde os jovens escapam por umas horas a uma realidade cinzenta e procuram viver aquilo que, no resto do mundo, já era visto como esperança: a moda e a cultura da geração dos anos setenta, especialmente a cultura norteamericana. Para a recriação desta nova Alcobaça, a pesquisa sobre os anos 70 foi essencial: livros, internet, entrevistas e opiniões, artigos de jornais, revistas, programas de rádio e excertos da RTP Play sobre o 25 de Abril, a tomada de posse de Marcello Caetano e a guerra do Ultramar. Foi uma pesquisa exaustiva para criar a realidade onde as personagens estão inseridas. O período anterior ao 25 de Abril de 1974 traz um peso histórico e uma grande responsabilidade para quem escreve, mesmo que os acontecimentos e factos sirvam apenas de pano de fundo para construir a realidade em que as personagens vivem. O maior problema não foi criar as personagens, nem sequer concluir que o amor nem sempre vence, isso já nos é dado como facto desde o início, mas sim recriar uma realidade que, acima de tudo, é ficcional, de forma que o leitor sinta o peso da época tal como as personagens. Consegui? Não sei. A história desse período é tão rica e interessante que praticamente poderia dar origem a uma série de televisão ou a vários filmes. A matéria existe. Mas a vontade de enfrentar o passado não. O cinema americano ajudou os EUA a enfrentar o seu passado no Vietname. Portugal prefere esquecer.
