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Orientador(es)
Resumo(s)
O velho ditado diz: “o amor supera todos os obstáculos”. Será isso verdade? Com este guião, procuro demonstrar que o amor nem sempre vence. Uma história de amor (ou de amores) no último verão de 1973, na pequena vila de Alcobaça, em Portugal. Um regime fascista governa o país há quase 40 anos, ainda sob a lição de Salazar: Deus, Pátria e Família. Enquanto o mundo evolui para regimes mais democráticos e livres, Portugal esconde-se num passado cinzento, reprimindo o desejo do povo de ser livre e dono do seu destino. Portugal é um país de fortes contradições. O novo regime de Marcello Caetano promete uma abertura que acaba por se revelar uma promessa vazia. Com o aumento da censura na imprensa, nos livros, no teatro, na rádio e na televisão, e com o número de resistentes presos a atingir valores máximos, a esperança de liberdade parece mais um pesadelo do que uma realidade próxima. O guião transforma a pequena vila de Alcobaça (que podia ser qualquer vila ou cidade portuguesa) num microcosmo do Portugal de 1973. A realidade histórica, acontecimentos e factos foram alterados para melhor servir as narrativas do guião. Da resistência ao regime à guerra do Ultramar, da censura da imprensa à repressão violenta das manifestações, e da prisão daqueles que lutam pela liberdade, tudo se encontra em Alcobaça, tal como no filme "Casablanca". O guião não pretende ser a versão portuguesa desse filme, mas antes uma visão de como os jovens portugueses procuravam uma vida a cores num mundo cinzento e tentavam sobreviver a uma realidade sem esperança. Nas palavras do Capitão Renault ao Major Strasser: "Everyone comes to Rick’s". O mesmo posso dizer no guião O Verão: todos vão ao “Henry was Here” — local onde os jovens escapam por umas horas a uma realidade cinzenta e procuram viver aquilo que, no resto do mundo, já era visto como esperança: a moda e a cultura da geração dos anos setenta, especialmente a cultura norteamericana. Para a recriação desta nova Alcobaça, a pesquisa sobre os anos 70 foi essencial: livros, internet, entrevistas e opiniões, artigos de jornais, revistas, programas de rádio e excertos da RTP Play sobre o 25 de Abril, a tomada de posse de Marcello Caetano e a guerra do Ultramar. Foi uma pesquisa exaustiva para criar a realidade onde as personagens estão inseridas. O período anterior ao 25 de Abril de 1974 traz um peso histórico e uma grande responsabilidade para quem escreve, mesmo que os acontecimentos e factos sirvam apenas de pano de fundo para construir a realidade em que as personagens vivem. O maior problema não foi criar as personagens, nem sequer concluir que o amor nem sempre vence, isso já nos é dado como facto desde o início, mas sim recriar uma realidade que, acima de tudo, é ficcional, de forma que o leitor sinta o peso da época tal como as personagens. Consegui? Não sei. A história desse período é tão rica e interessante que praticamente poderia dar origem a uma série de televisão ou a vários filmes. A matéria existe. Mas a vontade de enfrentar o passado não. O cinema americano ajudou os EUA a enfrentar o seu passado no Vietname. Portugal prefere esquecer.
Descrição
Trabalho de Projeto submetido à Escola Superior de Teatro e Cinema para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Desenvolvimento de Projeto Cinematográfico - especialização em Narrativas Cinematográficas
Palavras-chave
Fascismo Portugal Anos 70 Séc. XX
