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Orientador(es)
Resumo(s)
A historiografia política da monarquia liberal portuguesa assume a imprensa como elemento, descritivo e explicativo, da luta política. Sem exceção, os historiadores que se debruçam sobre o final da monarquia apontam a imprensa como fator determinante na crise das instituições, no entanto, o jornalismo é assunto lateral da história política.
O jornal “O Mundo”, órgão do Partido Republicano Português era, no início do século XX, o terceiro jornal mais lido da capital, com tiragens próximas do Século e do Diário de Notícias.
Quando nos aproximamos dos estudos jornalísticos portugueses e procuramos compreender o comportamento dos jornais face ao político, na viragem do século XIX, temos de imediato uma grelha interpretativa, acessível e dicotómica: em Portugal existiria uma imprensa de opinião, partidária e apaixonada, e uma outra informativa e apartidária. A esta última caberia a fórmula do sucesso.
No terreno jornalístico a cultura de sujeição ao campo político estava presente em práticas convencionadas, partilhadas por todos, que não só valorizavam, como impunham, à discussão sobre os negócios públicos, uma lógica estritamente político-partidária, presente em todo o jornalismo, “informativo” e de opinião.
Entender o lugar dos jornais de “opinião” no início do século XX obriga a ter presente que o jornalismo político alicerçava grande parte da sua legitimidade nas funções que o sistema político lhe conferia: de instrumento disponível para controlar os abusos do poder; garante da alternância de poder sem recurso à violência; arena onde se competia pela imposição de uma leitura da atualidade. Isto é, espaço incontornável para quem pretendia participar no debate político.
Na avaliação dos jornais diários político partidários do período tendemos a valorizar os conteúdos de opinião e comentário político, esquecendo aquilo que une a imprensa diária: a sua forte dependência de informação atual. O que aqui pretendemos é salientar a importância da vertente informativa no jornalismo de opinião e o lugar que nele assumem a reportagem e os “ecos”. Porque com diferente grau de determinação e eficácia a imprensa diária político-partidária, que se arrogou de democrática, foi construindo, quer pelo conteúdo, quer pela forma, a ideia força do debate político alargado a todos.
Descrição
Palavras-chave
Jornal “O Mundo” Reportagens Boatos
Contexto Educativo
Citação
BARROS, Júlia Leitão de - A vertente informativa do jornal "O Mundo". In: ROLLO, Maria Fernanda; AMARO, António Rafael (Coords). - República e Republicanismo. Coimbra: Caleidescópio, 2015. ISBN 978-989-658-277-7. pp. 113-119.
