Logo do repositório

RCIPL

Repositório Institucional do Politécnico de Lisboa

 

Entradas recentes

As Artes Visuais nos primeiros anos de escolaridade - Representações, curricula e Práticas Docentes do séc. XX ao séc. XXI
Publication . Pereira, Teresa Matos; Instituto Politécnico de Lisboa
O presente estudo, resultante de uma investigação de pós-doutoramento em Educação Artística, constitui uma abordagem transversal e diacrónica ao domínio das artes visuais, considerando os primeiros anos de escolaridade como contexto – detetando continuidades e descontinuidades nos modos de percecionar, integrar e mobilizar conhecimento artístico. Não obstante o conjunto de recomendações de organismos internacionais como a UNESCO, investigação produzida em diferentes áreas como as ciências sociais, a educação ou as neurociências, que tem vindo a demonstrar os contributos de uma Educação Artística de qualidade para o desenvolvimento de competências psicossociais, instrumentais, de inclusão e inovação, entre outros domínios, o facto é que persiste uma visão tecnicista-decorativista das artes visuais. Esta visão instrumental encontra-se na base de uma secundarização que, do domínio social, é transposta para o âmbito das políticas educativas, dos curricula escolares (do ensino básico e da formação de professores) e que remete as artes para um campo do entretenimento, da decoração, do lúdico ou de uma “inutilidade” quotidiana. O estudo assumiu como ponto de partida a necessidade de realizar uma sistematização das perspetivas e das práticas desenvolvidas no âmbito da educação artística, focada essencialmente nas artes visuais. Esta sistematização, que abarca o século XX e os primeiros anos do século XXI, procura preencher uma lacuna já que, apesar dos diversos estudos que se integram nesta área, o facto é que prevalece uma fragmentação e uma visão parcelar acerca das várias perspetivas que informaram os discursos, a legislação, as práticas e as representações que sobre esta área se foram sucedendo no tempo, culminando no presente. Neste sentido, foi levada a cabo uma investigação ancorada na abordagem diacrónica, que conjugou a pesquisa em arquivo com o trabalho de campo, no sentido de perceber o papel representado pelas artes visuais no contexto da formação de professores do ensino primário e 1º Ciclo do Ensino Básico, desde a Iª República até à atualidade, bem como a mobilização deste conhecimento (adquirido num ciclo formativo) no contexto profissional das práticas docentes.
Morte de Hipátia: ficção histórica-cénica
Publication . Nascimento Rosa, Armando; Ladd, Alex
Morte de Hipátia coloca sob a forma de drama as circunstâncias que conduziram ao bárbaro assassinato, por fanatismo religioso, de Hipátia (370-415), filósofa pagã e astrónoma, matemática e professora, a única mulher que dirigiu, na Antiguidade, a Academia de Alexandria. É esta a data que os historiadores convencionaram (juntamente com o encerramento da Academia platónica de Atenas, em data próxima desta) para início simbólico da Idade Média. Ainda que se trate de uma livre recriação da tragédia de Hipátia, num exercício activo de imaginação dramática, procurei fidelizar alguma concordância histórica, consultando as magras fontes biográficas existentes sobre esta personalidade fascinante, bem como sobre outros rostos da época, que com ela se cruzam, e que surgem ou são nomeadas em cena, como sejam: o bispo, e ex-aluno de Hipátia, Sinésio de Cirene (que com ela se correspondeu e cujas cartas chegaram até nós), o governador Orestes, os patriarcas Teófilo e Cirilo de Alexandria, a imperatriz Pulquéria de Bizâncio, ou o gramático Paladas de Alexandria. Tal não impediu a invenção de uma série de personagens ficcionais que permitiram dotar de forma teatral algumas informações historiográficas que me pareceram imprescindíveis para uma recriação cénica com estas características. Inclui-se neste caso a figura da actriz Demétria, esposa de Orestes, cujo confronto com a protagonista proporciona uma evocação do célebre episódio de Orestes, enquanto discípulo apaixonado pela filósofa, bem como permite teatralizar os relatos que apontam uma ligação entre o crime contra Hipátia e a abertura de um teatro em Alexandria, por ordem de Orestes, no exercício do seu cargo de governador da cidade. Fazer de Orestes um dramaturgo a escrever sob o pseudónimo de Aristeu de Tebas é uma das várias invenções a que me entrego, no sentido de prestar tributo, seguindo a palavra de Aristóteles, à universalidade da poesia dramática em detrimento da particularidade do factual histórico (factualidade histórica que, neste caso, em grande parte desconhecemos). As identidades dos jovens alunos da Academia de Hipátia são também invenções em benefício da ficção dramática; sejam eles o escravo liberto Ebâneo, e o judeu Nazário, o espião Kariótis que entrega Hipátia aos sequazes de Cirilo, e a recém-chegada Estela, filha de Sinésio, que contradiz na fábula cénica a notícia biográfica de terem os dois filhos do bispo de Pentápolis morrido na infância. E se bem que os aspectos relacionados com a manutenção do casamento de Sinésio, por este exigido à Igreja para ser admitido como seu prelado, estejam historicamente documentados, o perfil humano da sua esposa, Lavínia, é aqui de minha exclusiva lavra, fazendo face à falta de dados sobre a sua realidade biográfica. Existiu uma versão inicial, publicada em 2004, sob o título de A última lição de Hipátia, com o formato de uma peça extensa em três actos, na qual a dramatização das últimas horas da filósofa de Alexandria, que constituía então o segundo acto, estabelecia um diálogo teatral com uma história de violência escolar ocorrida nos nossos dias. Resolvi agora autonomizar numa peça em um acto aquilo que dizia respeito ao tempo de Hipátia, concretizando uma intenção que alimentava há alguns anos, e que neste momento teve um motivo para acontecer, graças ao incentivo de Susan Rowland, responsável por dirigir a primeira experiência cénica que a obra conheceu, na Universidade de Cornell (Ithaca, EUA), em Agosto de 2010, na tradução inglesa de Alex Ladd. Esta é por isso uma obra inédita sem o ser inteiramente, uma vez que a intervenção fundamental que fiz foi a escrita de um prólogo e de um epílogo que conferissem autonomia dramatúrgica a esta variante breve da peça mais longa que a precedeu. Entre a criação da primeira versão em 2002 e o momento presente, registo a leitura recente que fiz da obra de Maria Dzielska, Hipatia de Alexandria (na edição portuguesa de 2009) que, entre outros aspectos argumentados, defende ser um erro de interpretação documental sustentar que Hipátia teria 45 anos de idade na data em que foi assassinada. A estudiosa polaca propõe, pela primeira vez, a tese de que ela seria bem mais anciã e contaria já 60 anos em 415, quando o crime colectivo teve lugar. Ainda que me pareça plausível a tese de Dzielska, no que respeita à revisão da data de nascimento de Hipátia (antecipada para o ano de 455), não quis desfazer-me da ficção já antes elaborada. Mantenho por isso a fábula de acordo com a tese historiográfica tradicional, que a coloca a morrer na flor dos quarenta anos de idade, tal como o cineasta espanhol Alejandro Amenábar também o viria a fazer no filme Ágora, estreado em 2009, a primeira e notável incursão cinematográfica em torno de Hipátia, na qual esta é interpretada pela actriz britânica Rachel Weisz. O ponto de partida para a escrita da peça foi o poema com que esta encerra, e que, na verdade, pré-existiu a todo o restante texto. Nele dá-se a entender, por exemplo, que o matemático Theon, pai de Hipátia, estaria ainda vivo quando a sua filha é cruelmente arrancada à vida; facto historicamente erróneo que a própria peça contraria. De facto, Demétria, em diálogo com Orestes, refere-se a Theon no passado, fazendo subentender que se trata de alguém já falecido. A personagem de Lucinda refere explicitamente a coexistência de versões divergentes do episódio da morte de Hipátia, presentes na peça e no poema. A figura possível de anima que é Lucinda foi uma máscara juvenil para a autoria da peça, que me concedeu a liberdade criativa e um distanciamento de olhar de que necessitava, no sentido de me afastar de uma reconstituição ditada apenas pela documentação histórica. Através da decisão final de Lucinda, desejei manter a divergência entre o poema e a peça a que ele deu origem, como que acentuando simbolicamente o pouco que sabemos ao certo sobre Hipátia; e daí a necessidade que senti em activar a imaginação dramática, para a poder reinventar numa ficção teatral que procura comunicar connosco pela emoção e pelo pensamento, pelo prazer lúdico da cena e pela intuição, fazedora de símbolos.
Arriving and already being there: phenomenology of the gaze, border, and alterity in contemporary societies
Publication . Sousa, Vanda
This article proposes an interdisciplinary reflection on the relationship between migration, alterity, language, and contemporary regimes of visuality, seeking to understand how the gaze participates in the symbolic construction of the Other in contemporary societies. Drawing on a hermeneutic-phenomenological approach, the study articulates contributions from phenomenology, hermeneutics, semiotics, philosophy of language, and visual studies in order to argue that borders do not emerge solely from geography, but primarily from cultural, discursive, and perceptual processes of differentiation. Based on authors such as Maurice Merleau-Ponty, Martin Heidegger, Paul Ricoeur, Émile Benveniste, Algirdas Julien Greimas, Emmanuel Levinas, Hans Jonas, Marc Augé, and Jacques Rancière, the article argues that the migrant should not be understood merely as a political or territorial figure, but as a paradigmatic expression of the contemporary human condition. Migration is therefore approached not only as physical displacement, but also as an existential, narrative, and perceptual experience shaping contemporary forms of inhabiting the world. The article analyses how contemporary regimes of visuality, deeply mediated by digital platforms, algorithmic systems, and media dispositifs, participate in the symbolic production of alterity. It argues that the contemporary gaze organizes forms of recognition, exclusion, and invisibility that condition the experience of the Other in digital societies. Simultaneously, migrant alterity is understood as a mirror of the vulnerability and instability constitutive of human existence. The study concludes that contemporaneity demands an ethical and aesthetic reconfiguration of the gaze capable of overcoming the automatic mechanisms of classification and exclusion that organize the symbolic borders of the present. To inhabit the world poetically implies relearning how to welcome what arrives without immediately reducing it to category, threat, or exteriority. In this sense, perhaps we are all, in some way, migrants within our own existence.
Aesthetic pressure in audiovisual narratives: a semiotic content analysis of South Korean and Luso-Brazilian TV series
Publication . Guimarães Oliveira, Hadassa; Biana, Hazel T.
Abstract: Across Eastern and Western cultures, aesthetic norms continue to oppress women, with certain aspects transcending socio-historical differences. To visualize symbolic violence in media, we selected three series from diverse but related cultural and social contexts: South Korea’s My ID is Gangnam Beauty, Portugal’s The Good Girls Club, and Brazil’s Hidden Truths. Utilizing a qualitative and interpretive semiotic content analysis method and an intersectional decolonial feminist lens, we observe how these audiovisual media explore aesthetic norms semantically. Findings indicate that neoliberal and postfeminist discourses frame beauty practices as forms of empowerment in the three series. However, they often hide the structural forces pushing women toward unrealistic standards, with physical, financial, and psychological costs. The South Korean series explores bullying for not having hegemonic identities and bodies, and how women need to have a ‘feminine’ body to be accepted in their society. In the Portuguese series, the characters must prove themselves ‘sexy’ and capable of being valued by others. In Brazil’s series, the focus was to show how sensuality and hegemonic beauty standards continue to reinforce a collective imagination associated with success. The study raises awareness of how the media can use semiotics to promote inclusive and responsible representations of female beauty.
Uma nota sobre comunicação e justiça
Publication . Subtil, Filipa
O presente texto é uma nota sobre a profunda relação entre comunicação e justiça, compreendendo-as como práticas interdependentes e mutuamente constitutivas. Parte-se do princípio de que a justiça, enquanto ideal normativo e prática social, não pode realizar-se sem um processo comunicativo que assegure o diálogo, a deliberação racional e o reconhecimento mútuo. Com base em autores como Hannah Arendt, Jürgen Habermas, Amartya Sen e Martha Nussbaum, argumenta-se que tanto a comunicação quanto a justiça exigem condições éticas e estruturais que promovam a liberdade, a igualdade e a sinceridade no espaço público e nas relações intersubjetivas. Propõe-se, em suma, uma visão exigente da justiça comunicativa, entendida como condição de possibilidade de uma democracia substantiva e de uma vida coletiva orientada para o bem comum.