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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A discussão suscitada pela Medicina Baseada na Evidência acerca da necessidade de se desenvolverem instrumentos formais de apoio à decisão médica que contribuam para o reforço do seu perfil científico, deu lugar a uma reflexão sobre a necessidade de uma maior padronização para reduzir a variação das práticas médicas. Neste livro é desenvolvida uma abordagem sociológica centrada na problematização da ideia de padronização. Para explorar o seu alcance na prática clínica, empreendo uma análise compreensiva acerca da dimensão contextual e situada do conhecimento nas práticas profissionais concretas dos médicos de Medicina Geral e Familiar (MGF) – em dois contextos organizacionais específicos – com o propósito de discernir de que forma estes se vinculam aos instrumentos formais e em que medida procedem a articulações compósitas entre diferentes epistemologias médicas. Como conclusão, constata-se que a principal ideia a destacar é a de que os padrões não produzem efeitos forçosamente uniformes, uma vez que os mesmos são mobilizados através de articulações dinâmicas que fazem coexistir a padronização com formas de julgamento clínico discricionário. Assim, apesar de mudanças organizacionais concretas e de efeitos práticos significativos na cultura identitária dos profissionais de MGF, aquilo que a utilidade parcial dos padrões coloca em evidência é que, apesar das aspirações de reforço da racionalidade objetiva, o que resulta da sua efetiva tradução empírica é, afinal, uma vitória pírrica da padronização.
Descrição
Palavras-chave
Sociologia médica Medicina geral e familiar Conhecimento médico
Contexto Educativo
Citação
Raposo H. Entre padronização e discricionariedade: reconfigurações do conhecimento médico na medicina geral e familiar. Lisboa: Instituto Politécnico de Lisboa; 2026.
