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Abstract(s)
É no âmbito de uma teoria da comunicação que parte da existência de indivíduos
capazes de fala e de acção e que coordenam, através da linguagem, as suas acções não
de uma forma isolada, mas por expectativas de comportamento intersubjectivamente
válidas, ou seja, pelo sentido que os indivíduos subjectivamente atribuem à sua acção e
que depende, nas palavras de Mead, da “adopção da atitude do outro” que pretendemos
situar esta comunicação.
O processo de integração social, já por si complexo, problematizou-se ainda mais com a
emergência e consolidação da modernidade, na medida em que a proliferação de
diferentes esferas sociais confronta o indivíduo com a necessidade de escolher uma
alternativa de acção de entre um vasto conjunto que se encontra à sua disposição, com a
particularidade de essa escolha ter de ser coordenada com as escolhas dos outros.
O encontro num determinado espaço físico comum em que os indivíduos dão publicidade
às suas ideias constitui-se como a referência ideal do uso público e crítico da razão, em
que a partir de razões invocadas e da força do melhor argumento, o indivíduo é livre de
fazer a sua escolha tendo em vista o entendimento.
O que Jürgen Habermas salienta a partir da enunciação dos mecanismos de
coordenação da acção é que a acção orientada para o entendimento pode, por sua vez,
derivar para uma acção orientada para o êxito, em que somente os interesses de uma
das partes são tidos em conta. Se a prática das organizações culturais se quiser afirmar
como alternativa terá que ser organizada participativamente, o que quer dizer que a
relação organização/públicos não pode ser de carácter instrumental, mas dialógica,
baseada na intersubjectividade do mútuo entendimento estabelecido linguisticamente.
Tendo presente que as questões da legitimidade se colocam nos nossos dias de forma
inseparável da emergência de um público esclarecido e que assumem uma forma
discursiva, já que são mediadas simbolicamente por um discurso com exigências
racionais e críticas, parece-nos fundamental apresentar a noção de acção social para dar
conta de um processo que pressupõe um acordo intersubjectivo, em que o acordo é
obtido, não à partida, mas através do uso argumentativo da própria linguagem, para a
partir daí podermos dar conta do contributo das organizações culturais na promoção da
discussão pública de ideias.
Description
Artigo baseado na comunicação proferida no 5º Congresso SOPCOM: Comunicação e Cidadania, realizado na Universidade do Minho, Braga, Portugal, 06-07 de setembro de 2007
Keywords
Teoria da comunicação Linguagem Processo de integração social Intersubjetividade Legitimidade
Pedagogical Context
Citation
CENTENO, Maria João - O papel do campo cultural na promoção do debate e do uso público da razão. In: MARTINS, Moisés de Lemos & PINTO, Manuel (orgs.) - Comunicação e Cidadania: livro de actas: 5º Congresso SOPCOM. Braga: Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, 2008. ISBN 978-989-95500-1-8. pp. 1158-1170
Publisher
Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade/Universidade do Minho
