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- Barreiras à utilização da medicação em doentes com hipertensão arterial: que influência da literacia em saúde?Publication . Amaro, Otília Maria de Campos Barroso; Coelho, AndréIntrodução: A hipertensão arterial é uma das doenças crónicas mais prevalentes e um fator de risco significativo para complicações cardiovasculares e mortalidade prematura. Apesar de existirem terapêuticas eficazes, a adesão à medicação anti-hipertensiva permanece um desafio, influenciada por múltiplos fatores, um deles a literacia em saúde. Níveis reduzidos de LS associam-se a menor compreensão do regime terapêutico, maior perceção de barreiras e piores resultados clínicos. Objetivo: Analisar como o nível de literacia em saúde influencia a perceção das barreiras ao uso da medicação anti-hipertensiva. Metodologia: Estudo transversal, descritivo-correlacional, quantitativo, realizado no Centro Hospitalar Barreiro Montijo E.P.E., no último trimestre de 2022, com uma amostra não probabilística de conveniência. Integrou 93 participantes com diagnóstico de hipertensão arterial que realizaram Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica, nomeadamente Medição Ambulatória da Pressão Arterial ou Registo de Holter de 24 horas. Para a recolha de dados, foram utilizados o European Health Literacy Survey Questionnaire que avalia a literacia em saúde e o My Experience of Taking Medicines Questionnaire que identifica barreiras à adesão à terapêutica, ambos nas versões validadas para Português. Resultados: A literacia em saúde global da amostra apresentou-se problemática (média=32,76±8,16), sendo mais elevada nos Cuidados de Saúde (33,66) e menor na Promoção da Saúde (30,21). Verificou-se uma associação significativa entre literacia em saúde e idade (p<0,05), escolaridade (p<0,001) e situação profissional (p<0,01), destacando maior vulnerabilidade em indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos, baixa escolaridade e desempregados/reformados. Quanto às barreiras à toma da medicação, destacam-se o desconforto com medicação vitalícia (34,5%) e receio de efeitos adversos (24%), bem como dificuldades práticas (receitas: 26,7%; leitura de rótulos: 24,4%) e esquecimento (25,9%). Observou-se correlação significativa entre literacia em saúde e barreiras percecionadas: níveis mais baixos de literacia em saúde associaram-se a maiores preocupações e dificuldades com a utilização da medicação. Conclusão: A literacia em saúde influencia diretamente a perceção das barreiras à toma da medicação: níveis mais baixos associam-se a maiores dificuldades e preocupações, aumentando o risco de não adesão, enquanto níveis mais elevados favorecem uma gestão mais eficaz da terapêutica e menos barreiras percebidas.
