Percorrer por autor "Santos, Teresa Isabel Farias Correia dos"
A mostrar 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
- Ingestão de refeições em contexto pré-escolar e estado nutricional de crianças entre os 3 e os 6 anosPublication . Santos, Teresa Isabel Farias Correia dos; Moreira, Ana CatarinaIntrodução: Atualmente tem-se verificado alterações ao estado nutricional nomeadamente com um aumento da prevalência de obesidade em todo o Mundo, tanto em adultos como em crianças. Em especial, a obesidade infantil é identificada como um problema de saúde pública de tendência crescente. Nas crianças portuguesas verifica-se a mesma realidade. No entanto, as causas para o aumento deste excesso ponderal em crianças ainda não estão totalmente esclarecidas. A idade pré-escolar reveste especial relevância na adoção de hábitos alimentares e de atividade física, pois estes tendem a manter-se durante a vida adulta. Neste sentido, os jardins-de-infância desempenham um importante papel, pois são os locais onde as crianças realizam uma parte significativa da sua alimentação. Por conseguinte, a alimentação praticada nos jardins-de-infância poderá ter um papel importante no desenvolvimento de um padrão alimentar mais saudável e menos “obesigénico”. Objetivos: Caracterizar e quantificar a energia das refeições do meio da manhã e meio da tarde; relacionar o valor energético consumido pelas crianças nestas refeições com o seu estado nutricional. Avaliar a influência do género e do meio de residência no consumo das refeições escolares. Métodos: A recolha dos dados antropométricos e alimentares das crianças deu-se entre Outubro de 2014 e Fevereiro de 2015. Como parâmetros antropométricos foram avaliados neste estudo, a estatura, o peso, os perímetros da cintura e do braço. Posteriormente, estes dados foram classificados de acordo com os percentis e calculado o Índice de Massa Corporal para cada criança com a respetiva classificação do estado nutricional, segundo os critérios da Organização Mundial de Saúde. Para a avaliação da ingestão alimentar das crianças no jardim-de-infância, procedeu-se à pesagem dos alimentos disponíveis e dos desperdícios através de uma balança digital. Para avaliar a ingestão alimentar das crianças fora das instalações do jardim-de-infância, foi entregue aos encarregados de educação um questionário para o preenchimento de um registo de ingestão alimentar de 3 dias (2 de semana e 1 de fim-de-semana). Foi realizado o cálculo das necessidades energéticas através da fórmula de Harris-Benedict, incluindo os dados de atividade física previamente recolhidos na aplicação do questionário. O tratamento estatístico das variáveis em estudo foi realizado através do programa SPSS versão 22. Resultados: Este estudo incluiu 153 crianças com idades entre os 3 e os 6 anos, apresentando uma mediana de 4,4 anos (3,0; 6,7). Relativamente à distribuição segundo o género, 53,6% eram rapazes. Verificou-se uma prevalência de excesso de peso/obesidade e obesidade de 12,4% e de 6,5% respetivamente, constataram-se valores superiores de excesso de peso e obesidade nos rapazes (7,8% e 3,9%), e nas crianças do meio urbano (8,5% e 4,6%). Relativamente à percentagem do valor energético ingerido nas refeições realizadas nos jardins-de-infância, os rapazes (66,8±15,8% vs. 52±11,4%; p = 0,000) e as crianças do meio rural (65±14,9% vs. 58,2±15,7%; p = 0,021) demostraram valores superiores. Em relação ao valor energético ingerido pelas crianças no total do dia (inclui as refeições ingeridas no jardim-de-infância e fora das instalações do mesmo), constatou-se que os rapazes e as raparigas ultrapassaram as suas necessidades energéticas em 36,1% e 7,9% respetivamente. Quanto à relação entre o valor energético consumido pelas crianças e a sua classificação do estado nutricional, não se verificou uma associação com significado estatístico. Considerando as refeições do meio da manhã e meio da tarde, verificou-se um consumo energético superior ao recomendado pela Direção Geral de Saúde em 6,2% e 10,5% respetivamente. No entanto, verificaram-se valores inferiores de consumo energético na refeição do almoço para rapazes e raparigas (-2,2% e -8,9% respetivamente) face às suas necessidades. Relativamente aos tipos de alimentos consumidos pelas crianças nas refeições do meio da manhã e meio da tarde, os mais consumidos foram os alimentos pertencentes ao grupo dos produtos lácteos. Quando analisamos os consumos dos diferentes alimentos nestas refeições verificamos diferenças entre os géneros apresentando os rapazes consumos superiores de alimentos do tipo farináceo (p=0,022) e dentro destes, de pão (p=0,009). Se considerarmos o consumo dos diferentes alimentos nas mesmas refeições mas diferenciando o meio de residência, verificamos no meio rural consumos superiores em produtos lácteos (p = 0,02), sumos (p = 0,001) e alimentos do tipo farináceo (p = 0,002). Quando analisados separadamente os alimentos do grupo dos farináceos, verificamos que as bolachas são os únicos que apresentam diferenças com significado estatístico (p = 0,000). Conclusão: Apesar de não existir uma relação entre o valor energético ingerido nos jardins-deinfância estudados e o estado nutricional das crianças, verificamos um consumo superior das crianças face às suas necessidades tanto nas refeições realizadas no jardim-de-infância, como no total das refeições realizadas ao longo do dia. Verificamos ainda, a existência de diferenças na seleção dos diferentes alimentos consumidos entre os géneros e meio de residência nas refeições do meio da manhã e meio da tarde.
