Percorrer por autor "Miguel Esteves"
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- Cold desert: processo de criação coreográficaPublication . Miguel Esteves; Fernandes, JoãoNo âmbito do Mestrado em Criação Coreográfica e Práticas Profissionais, na área de especialização em Coreografia (MCCPP), ministrado pela Escola Superior de Dança no ano letivo 2023/2024, desenvolvi o projeto coreográfico Cold Desert. A peça, da minha autoria, estreou a 21 de maio de 2024 no Salão Preto e Prata do Casino Estoril, tendo como principal objetivo a criação de uma obra coreográfica contemporânea a partir de uma investigação sensorial e simbólica em torno do elemento Água e da prática do mergulho livre (freediving). Concebida para dois bailarinos-intérpretes, a peça resultou de um processo de criação autoral que conduzi, ancorado em práticas de improvisação livre e estruturada, pesquisa em contexto aquático e partilha sensível com os intérpretes. A metodologia que adoptei combinou o estudo técnico do mergulho (incluindo apneia estática e dinâmica) com exercícios corporais em estúdio e piscina, permitindo-me construir um vocabulário de movimento que reflete a fluidez, densidade e suspensão associadas ao meio aquático. A dramaturgia coreográfica foi desenvolvida com base na escuta e observação das sensações provocadas por cada intérprete durante as improvisações, o que conduziu à criação de personagens simbólicas, simultaneamente humanas e etéreas. Ao longo do processo, partilhei com os intérpretes estímulos textuais diversos, como o célebre excerto de Bruce Lee sobre a fluidez da água, que contribuíram para a construção simbólica da peça. Estas referências, de natureza filosófica e sensorial, sustentaram a ligação temática com o elemento Água e com a ideia de presença. Este relatório organiza-se em quatro capítulos: o enquadramento geral, o enquadramento teórico, o processo de criação da obra Cold Desert e a análise coreográfica da peça. A metodologia aplicada foi autoral, dirigida e imersiva, sustentada por práticas somáticas, improvisações e estímulos imagéticos. Esta criação coreográfica procurou, acima de tudo, mergulhar na interioridade dos intérpretes e explorar o potencial expressivo do corpo em estados de presença.
