Percorrer por autor "Correia, Rita Apolinário Simões Pinto"
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- A música comunitária em Portugal: fundamentos teóricos e perspetivas práticasPublication . Correia, Rita Apolinário Simões Pinto; Caldas, Matilde Artiaga VieiraO presente estudo debruça-se sobre a Música Comunitária em Portugal, uma prática artística comunitária que tem ganho visibilidade nacional ao longo dos últimos 45 anos. Apesar do crescimento da sua aplicação prática e da existência de cursos superiores nesta área em Portugal, é percetível a carência de fundamentação e reflexão teóricas mais robustas, que acompanhem o desenvolvimento de projetos no terreno. A presente investigação procura constituir-se como um contributo adicional para a reflexão teórica e conceptual nesta área, articulando a experiência prática de profissionais envolvidos em projetos de Música Comunitária com a literatura existente. Neste sentido, o principal objetivo do estudo consiste em explorar o campo de atuação e as bases que orientam a Música Comunitária, quer a partir da análise das perspetivas práticas quer de orientações teóricas dos profissionais da área. Em termos metodológicos optou-se por uma abordagem qualitativa, que combinou duas vertentes complementares: a análise conceptual e discursiva dos programas curriculares dos dois cursos superiores da área e a realização de entrevistas semiestruturadas, como técnica de recolha de dados. Esta combinação permitiu o cruzamento de perspetivas teóricas e institucionais, e a exploração flexível e aprofundada das experiências e perceções dos entrevistados. Embora seja uma prática complexa e multifacetada, os resultados tornaram percetíveis um conjunto de elementos comuns entre as diferentes abordagens e perspetivas práticas e teóricas, tendo emergido, da análise três temas centrais: i) a Música Comunitária, vista como: um direito humano, ligada ao conceito de democracia cultural; um agente de transformação; uma ramificação da arte comunitária, de natureza flexível e diferenciada de contextos formais rígidos, com base de atuação na educação não formal; e como uma prática de acesso livre a qualquer pessoa interessada; ii) o Músico Comunitário, enquanto o profissional que trabalha na área, equilibrando o seu papel de liderança com a promoção de relações horizontais, valorizando as contribuições do grupo e o trabalho colaborativo com vista à promoção da participação ativa; desenvolvendo competências musicais e relacionais; iii) Desafios à prática da Música Comunitária: a flutuação terminológica, a limitada visibilidade da área, o financiamento instável e a capacidade de ser um profissional polivalente e adaptável. A discussão dos resultados estabeleceu pontes entre a teoria e a prática, evidenciando convergências e divergências nas perspetivas sobre valores, características e funções.
