Percorrer por autor "Constantino, Marta Isabel da Rosa"
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- O olhar e o papel das crianças no processo de inclusão escolarPublication . Constantino, Marta Isabel da Rosa; Nunes, ClarisseSabendo que a inclusão em contexto escolar é um direito, a presente investigação pretende contribuir para o corpo de conhecimento acerca das perspetivas dos atores educativos sobre inclusão dando voz à criança com desenvolvimento atípico e seus pares. Esta é uma linha de investigação emergente no campo da educação especial, é importante porque permite adicionar a perspetiva da criança, enquanto ser capaz de participar e pensar sobre inclusão, à dos profissionais de educação e pais já bastante estudada. Realizou--se um estudo de caso que pretendeu responder à questão: “O que pensam as crianças do 3.º ano de escolaridade, de uma escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico, sobre inclusão a tempo integral de uma criança com Paralisia Cerebral (PC) no ensino regular e que papel assumem nesse processo?”. Procurou-se: (i) analisar que perceção têm as crianças participantes no estudo sobre a inclusão de um aluno com PC; (ii) analisar o papel dos pares no processo de inclusão desse aluno e (iii) caracterizar como se sente o aluno no dia a dia com os pares. No estudo participaram 23 crianças do 3.º ano do 1º Ciclo do Ensino Básico (1.º CEB) com Desenvolvimento Típico (DT) e uma criança com PC. A recolha de dados envolveu várias técnicas: (i) observação não participante; (ii) entrevistas semiestruturadas; (iii) narrativas visuais; (iv) registo de incidentes críticos e (v) análise de redes sociais. Os dados recolhidos foram analisados, sobretudo, com recurso à análise de conteúdo. Os dados do estudo sugerem que as crianças participantes possuíam uma visão muito concreta do que é inclusão: estar incluído significa aprender e brincar juntos, partilhar os mesmos espaços e fazer as mesmas coisas, ainda que com ajudas. Para elas, TODOS têm o direito a aprender e a brincar juntos. Os pares desempenham um papel relevante neste processo, ao facilitar e promover a participação do colega com PC nas atividades do dia-a-dia escolar. Da análise dos dados decorreu ainda que o aluno com PC se sentia acolhido e feliz na escola, apreciando particularmente os momentos de brincadeira com os pares. Dar voz às crianças foi fundamental para se analisar a inclusão do ponto de vista das próprias.
