Percorrer por autor "Branco, Catarina Moreira Abrunhosa"
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- Da materialidade do corpo na interpretação: uma reflexão sobre o papel do intérprete na obra “Dança, onde estás?” de Né Barros e Jorge GonçalvesPublication . Branco, Catarina Moreira Abrunhosa; Fernandes, JoãoAo longo das últimas décadas, vários coreógrafos, filósofos e professores têm pensado o lugar do criador, o que nos leva a uma definição mais concreta e consensual sobre o mesmo, contudo o lugar do intérprete está ainda por definir. Tem sido um lugar mais ambíguo, não se sabendo bem onde começa e acaba a interpretação e a criação. Esta indefinição levou alguns autores à reflexão das variáveis que consolidam o papel do intérprete e à tentativa de sistematizar as funções que são da responsabilidade do criador e do intérprete, exemplo disso é o modelo Didático-Democrático de Jo Butterworth. A discussão continua e há até quem debata sobre a denominação e atribuição de funções das equipas nas fichas técnicas. A verdade é que não há forma certa de o fazer e o lado positivo desta inquietação é que gera reflexão e diálogo e isso que nos traz a formalização do conceito de intérprete contemporâneo. O presente relatório tem como proposta pensar sobre o papel do intérprete contemporâneo através da integração na criação Dança, onde estás? da coreógrafa Né Barros e do coreógrafo Jorge Gonçalves, conjugando a parte prática com uma reflexão teórica tendo como base o modelo Didático-Democrático de Jo Butterworth, em cruzamento com o conceito de intérprete contemporâneo e o glossário sobre coreografia desenvolvido por Jonathan Burrows. Contribuirá para esta reflexão abordar os conceitos de dramaturgia do corpo e cartografia do corpo de Né Barros, questionando as identidades pré-estabelecidas dos corpos e se isso poderá ser ou não limitador e provisório ou permanente, de modo a compreender qual o papel do intérprete nesta reflexão. Para esta reflexão importa compreender, não só, o corpo em si, mas o corpo na relação com o outro e quais as camadas políticas, sociais e simbólicas que o corpo e as relações entre corpos carregam. Como se constrói o corpo do intérprete, considerando os contextos social, político e simbólico que situam o indivíduo? Esta reflexão, inserida na componente teórica, apoia a componente prática, através da minha integração, enquanto intérprete, na peça Dança, onde estás?. No enquadramento prático serão sistematizadas as etapas do processo, assim como os métodos e processos abordados ao longo da criação. Na organização e sistematização dos métodos e processos adotados por Né Barros, poderá se compreender melhor o lugar do intérprete no contexto desta criação, permitindo reforçar e afirmar algumas das ideias de alguns autores que são referidas no enquadramento teórico do presente relatório sobre dança contemporânea, criação coreográfica, dramaturgia, narrativa e interpretação.
