Percorrer por autor "Monteiro, Ricardo Jardim Prista"
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- Aurícula direita: mecânica e sobrecarga de volumePublication . Monteiro, Ricardo Jardim Prista; Teixeira, Rogério; Sousa, CatarinaIntrodução: O estudo ecocardiográfico por speckle tracking (2D-STE) revolucionou a imagiologia cardiovascular na última década. Utilizado inicialmente para o estudo da mecânica do miocárdio, tem sido mais recentemente aplicado ao estudo da mecânica auricular. Objectivo: Neste estudo, pretendeu-se avaliar a influência da regurgitação tricúspide (RT) no pico de strain longitudinal da aurícula direita (SLAD) e identificar os seus predictores independentes. Metodologia: Foram incluídos 55 indivíduos consecutivos, referenciados para ecocardiografia transtorácica durante um período de 2 meses. A amostra foi dividida em três grupos de acordo com o volume regurgitante tricúspide (VRT) calculado pelo método da área de aceleração proximal do fluxo regurgitante: Grupo A (n=20) VRT ≤ 21 ml; Grupo B (n=19) VRT > 21 e ≤ 31 ml; Grupo C: (n=16) VRT > 31 ml. O ecocardiograma convencional bem como a avaliação da regurgitação foram determinados segundo as recomendações vigentes. O estudo da mecânica auricular foi realizado por 2D-STE e o pico global de strain da aurícula direita (AD) documentado em sístole. A frame de referência coincidiu com o início do QRS. Resultados: A amostra em estudo tinha uma idade mediana de 78,0 (64,0 – 84,0) anos com um predomínio do género feminino (64%). Para os 55 indivíduos o SLAD teve um valor mediano de 16,0% (12,7 – 24,0). Foi observada uma correlação positiva significativa entre o SLAD, a função sistólica longitudinal ventricular direita (VD) (TAPSE: r=0,53, p<0,01; S’ VD: r=0,60, p<0,01), a fracção de ejecção do ventrículo esquerdo (FEVE) (r=0,35, p=0,01) e o volume sistólico indexado (VSI) (r=0,43, p<0,01). Pelo contrário, foi registado uma correlação negativa do SLAD com as dimensões sistólicas e diastólicas da AD e com as resistências vasculares pulmonares (RVPs) estimadas (r=-0,61, p<0,01). Foi documentada uma diminuição progressiva do SLAD com o aumento do VRT (23 [16 – 28] vs 16,8 [13 – 20] vs 11 [8,3 – 13,8]%, p<0,01), r=-0,71; p<0,01). O SLAD foi menor nos doentes em fibrilhação auricular. De acordo com um modelo de regressão linear, o VRT (β=–0,41, p<0,01), as RVP (β=–0,24, p=0,01) e a função sistólica longitudinal do VD (β=0,26, p=0,01), foram os únicos predictores independentes do SLAD, num modelo ajustado às dimensões das aurículas e à veia cava inferior (VCI). Para além disso, o SLAD teve uma sensibilidade superior às dimensões da AD (AUC SLAD 0,73 vs AUC AD 0,56, p=0,02) para prever um aumento das pressões de enchimento do VD (E/e’>6). Conclusões: Este estudo fornece uma nova visão da função AD em resposta a diferentes níveis de insuficiência tricúspide. De acordo com estes dados, o SLAD foi significativamente influenciado pela sobrecarga crónica de volume da AD, diminuindo com valores crescentes de VRT. Foi ainda possível demonstrar que o SLAD é superior às dimensões da AD e da VCI para prever as pressões de enchimento do VD.
