Melo, Ana Maria Barreiros Joanaz deMatos, ManuelAmaral, Inês Carvalhal2020-11-022020-11-022019-12-10AMARAL, Inês Carvalhal - Reutilização de águas residuais tratadas na rega de espaços verdes: efeito de salinidade nos solos e nas plantas. Lisboa: Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, 2019. Dissertação de mestrado.http://hdl.handle.net/10400.21/12317Trabalho final de mestrado para a obtenção do grau de mestre em Engenharia da Qualidade e AmbienteA água é, globalmente, um bem escasso, sobretudo a água “doce”. Prevê-se que as necessidades globais de água “doce” aumentem cerca de 20 a 30% até ao ano 2050. Segundo a ERSAR, em 2018, o consumo de água em Portugal através da rede de abastecimento foi de cerca de 1950 milhões de m3. No entanto a agricultura consome diretamente de furos, rios e albufeiras cerca de 8700 milhões de m3 por ano. Este elevado consumo poderá levar num futuro próximo à escassez de água para rega, nomeadamente no sul de Portugal a que se juntarão os fatores adicionados pelas alterações climáticas. Importa assim avaliar a utilização de outras fontes de água para rega entre elas a reutilização da água residual tratada que é produzida pelas estações de tratamento de águas residuais (ETAR) e que na sua maioria é descarregada diretamente em meio hídrico. As ETAR tratam em Portugal cerca de 630 milhões de m3/ano de água tratada que na sua grande maioria não é aproveitada para rega ou outros fins. A utilização de águas residuais tratadas tem no entanto algumas limitações. Entre elas a possibilidade de contaminação microbiológica dos trabalhadores e utilizadores dos locais regados e também para os consumidores quando se trata de rega de produtos hortícolas. Para além destes problemas temos muitas situações em que existe intrusão de águas salgadas nos sistemas de drenagem e nas linhas de descarga costeiras. Esta intrusão salina pode comprometer o seu uso para rega e é uma situação vivida pela empresa SIMARSUL que gere o tratamento das águas residuais na Península de Setúbal e que foi parceira neste trabalho. Neste trabalho avaliou-se o efeito da utilização de águas residuais tratadas com diferentes teores de salinidade na rega de relva, de plantas aromáticas (alecrim, alfazema e tomilho) e de culturas hortícolas (alface e couve-galega). Efetuaram-se ensaios de germinação com alface e couve-galega e ensaios de rega numa estufa com todas as espécies mencionadas e sob condições controladas. Avaliou-se o impacto na salinização do solo e no desenvolvimento das plantas. Os resultados suportaram-se em medidas de taxas de germinação e crescimento, medidas de condutividade e de pH dos solos, plantas e águas, e de medida do teor de clorofila nas plantas. Os resultados obtidos mostram diferentes comportamentos com as espécies hortícolas, nomeadamente a alface, a suportar mal o aumento de salinidade. A relva apresenta uma elevada capacidade de adaptação ao aumento de salinidade das águas. Por seu lado, as plantas aromáticas têm no alecrim uma espécie bastante resistente ao aumento de salinidade das águas de rega sem que o seu teor de sal aumente significativamente. A alfazema e o tomilho apresentam uma resistência também assinalável mas com um aumento do teor de sais na sua composição. A nível de solos constata-se que o aumento dos teores de sais nos solos está diretamente ligado à absorção de sais pela planta aí cultivada. Quando as espécies cultivadas absorvem os sais, os teores destes diminuem nos solos. Globalmente a rega com a água residual tratada apresenta viabilidade e apenas se verifica alguma sensibilidade das plantas para os valores mais elevados de salinidade. O reaproveitamento destas águas será assim vantajoso a nível ambiental e também económico pelo que deverá ser incentivada esta prática sempre acompanhada dos procedimentos necessários para garantir a saúde e segurança dos intervenientes.Water is, globally, a scarce commodity, especially “fresh” water. Global “fresh” water needs are expected to increase by 20 to 30% by the year 2050. According to ERSAR, in 2018, water consumption in Portugal through the supply network was around 1950 million m3 . However, agriculture directly consumes about 8700 million m3 per year of boreholes, rivers and reservoirs per year. This high consumption may lead in the near future to the scarcity of water for irrigation, namely in the south of Portugal, in addition to the factors added by climate change. Therefore, it is important to evaluate the use of other sources of water for irrigation, including the reuse of treated wastewater that is produced by wastewater treatment plants (WWTP) and that is mostly discharged directly into water. Wastewater treatment plants in Portugal treat around 630 million m3 / year of treated water, the vast majority of which is not used for irrigation or other purposes. However, the use of treated wastewater has some limitations. Among them, the possibility of microbiological contamination of workers, users of irrigated places and also consumers of the vegetables. In addition to these problems, there are many situations in which salt water intrudes into drainage systems and coastal discharge lines. This saline intrusion can compromise its use for irrigation is a situation experienced by the company SIMARSUL that manages the wastewater treatment in the Setúbal Peninsula, a partner in this work. In this work, the effect of using wastewater treated with different levels of salinity in the watering of grass, aromatic plants (rosemary, lavender and thyme) and vegetable crops (lettuce and kale) was evaluated. Germination tests were carried out with lettuce and kale and watering tests were carried out in a greenhouse with all the mentioned species and under controlled conditions. The impact on soil salinization and plant development was evaluated. The results were supported by measures of germination and growth rates, measures of conductivity and pH of soils, plants and waters, and measurement of chlorophyll content in plants. The results obtained show different behaviors with horticultural species, namely lettuce, which barely supports the increase in salinity. The grass has a high capacity to adapt to the increase of water salinity. Aromatic plants have in rosemary a species that is quite resistant to the increase of salinity in irrigation waters without increasing its salt content significantly. Lavender and thyme also have a remarkable resistance, but with an increase in the content of salts in their composition. In terms of soils, it appears that the increase in the levels of salts in the soils is directly linked to the absorption of salts by the plant grown there. When cultivated species absorb salts, their levels decrease in soils. Globally, irrigation with treated wastewater is viable and there is only some sensitivity of the plants to the highest salinity values. The reuse of these waters will thus be advantageous at the environmental and also economic level, so this practice should always be encouraged, accompanied by the necessary procedures to guarantee the health and safety of the stakeholders.porÁgua residual tratadaTreated waste waterReutilizaçãoReuseSalinidadeSalinityRegaWateringEspaços verdesGreen spacesPlantas aromáticasAromatic plantsCulturas hortícolasHorticultural cropsRelvaGrassReutilização de águas residuais tratadas na rega de espaços verdes: efeito de salinidade nos solos e nas plantasmaster thesis202533735