Gouveia, SofiaOliveira, Ana FilipaPalminha, JoanaDias, Hermínia Brites2024-09-042024-09-042022-02Gouveia S, Oliveira AF, Palminha J, Dias HB. Efeitos do processo de envelhecimento na função respiratória. In: XV Seminário Temático em Fisiologia Clínica, ESTeSL, 11 de fevereiro de 2022.http://hdl.handle.net/10400.21/17669Introdução: Durante o envelhecimento surgem alterações no aparelho respiratório as quais estão associadas à degradação da função pulmonar e a uma maior suscetibilidade para doenças pulmonares agudas e crónicas. O objetivo desta apresentação é: i)descrever as alterações do aparelho respiratório que resultam do processo fisiológico de envelhecimento; ii)a sua tradução numa prova de função respiratória; iii) as questões a ter em consideração na interpretação das PFR dos indivíduos idosos. Desenvolvimento: Com o envelhecimento ocorrem alterações estruturais na caixa torácica reduzindo a sua compliance, que altera a mecânica ventilatória se condicionar a sua normal expansão. Associado ao envelhecimento surgem alterações no tecido pulmonar nomeadamente, perda de retração elástica e dilatação dos ductos alveolares que provocam diminuição da sustentação das vias aéreas e o alargamento de espaços aéreos distais. Estas alterações definem o enfisema senil onde ocorre insuflação e diminuição do calibre das vias aéreas. Associado ao processo de envelhecimento surgem alterações características nas provas de função respiratória. O aumento das resistências das vias aéreas, por diminuição do diâmetro brônquico das vias respiratórias periféricas, deve-se à diminuição da sustentação das vias aéreas por remodelação estrutural da matriz extracelular do parênquima pulmonar. Estas alterações influenciam o volume residual, contribuindo para o aumento do mesmo. O encerramento das vias aéreas intralobares, provoca retenção do ar inspirado, durante a expiração forçada, contribuindo para a diminuição da capacidade vital, e consequentemente para o aumento do volume residual. Relativamente ao volume expiratório máximo no 1º segundo (FEV1), os estudos demostraram um decréscimo deste parâmetro a partir dos 35-40 anos de idade, sendo que pode duplicar após os 70 anos de idade. Esta redução do FEV1 está associada à diminuição da retração elástica. O envelhecimento e as suas repercussões a nível pulmonar são exacerbados caso expostos a condições, como o tabagismo, que provocam doença das vias aéreas em indivíduos suscetíveis. As alterações da função respiratória que ocorrem com a idade vão no sentido da alteração obstrutiva, mas na presença de alterações da caixa torácica, pode verificar-se uma alteração mista. A identificação das alterações ventilatórias depende dos valores de referência e dos limites da normalidade utilizados. A seleção do limite de normalidade é importante porque a utilização de cut-offs fixos, destacando o critério para identificação da obstrução de 70% do valor de referência proposto pela GOLD, não têm em consideração as alterações da função respiratória que ocorrem com a idade. A utilização do 5º percentil da população de referência é mencionada nas guidelines da ATS e no documento publicado pela ATS e ERS de modo a contabilizar o envelhecimento fisiológico do pulmão. Conclusão: Com o envelhecimento verificam-se alterações na função respiratória, nomeadamente uma redução do FEV1 e da CVF e um aumento do volume residual, capacidade residual funcional e resistência das vias aéreas, por diminuição da retração elástica do pulmão e dilatação dos ductos alveolares. Estas alterações devem ser consideradas na interpretação das provas de função respiratória através da utilização dos z-scores, não sendo recomendado o uso de cutoff fixos.porPneumologiaFunção respiratóriaMecânica respiratóriaEspirometriaEnvelhecimentoEfeitos do processo de envelhecimento na função respiratóriaconference object