Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.21/4463
Título: Relatório de estágio
Autor: Gonçalves, Rui David Duarte
Orientador: Cardoso, Francisco
Gonçalves, Diogo
Palavras-chave: Aquisição de competências harmónicas
Estilos de aprendizagem
Formação musical
Utilização de um instrumento harmónico
Harmonic skills
Learning styles
Ear training
Using an harmonic instrument
Data de Defesa: Jun-2013
Editora: Escola Superior de Música de Lisboa
Resumo: I - As minhas expectativas eram elevadas pois este regresso à Escola Superior de Música de Lisboa permitia-me voltar a trabalhar com os professores que me formaram como músico e professor e com eles poder actualizar-me sobre vários temas ligados à pedagogia. Este aspecto é muito importante pois chego à conclusão que o tempo por vezes provoca-nos excesso de confiança que parece “cegar-nos” não nos deixando ver erros pedagógicos muitas vezes evitáveis. Quando ingressei neste estágio sentia-me confiante e seguro quanto às minhas capacidades como professor. O momento de viragem na minha perspectiva do estágio dá-se quando surgem as observações/gravações e respectivas análises e reflexões das aulas. Procurei trabalhar nessas aulas da forma mais natural possível pois o meu objectivo era observar o meu trabalho diário. A primeira observação das aulas permitiu-me anotar algumas coisas menos boas. Contudo, quando essa observação foi feita com o professor de didática os aspectos menos positivos ganharam uma enorme proporção: (1) falhas ao nível da instrução: demasiado longo, (2) feedback de pouca qualidade ou eficácia , (3) pouca percentagem de alunos que atingiam os objectivos., (4) ritmo de aula por vezes baixo devido a períodos longos de instrução ou devido a uma má gestão do espaço. Todos estes problemas eram mais visíveis quando as turmas eram maiores. Ao longo do estágio, e após a detecção destas falhas, fui procurando evitar estas práticas em todas as turmas onde leccionava. Senti que o ritmo de aula aumentou substancialmente não apenas à custa da energia do professor e de boas estratégias mas porque sobretudo se “falava menos e trabalhava-se mais”. Os erros dos alunos passaram a ser corrigos enquanto trabalhavam (feedback corretivo próximo do momento positivo ou negativo), o feedback positivo passou a ser mais destacado, a disposição da sala alterou-se de forma aos alunos estarem mais perto do professor, e este procurou ser menos “criativo” no momento de alterar o plano de aula devido a ideias momentâneas o que provocou mais tempo para cada estratégia e para que mais alunos fossem atingindo os objectivos. Apesar da evolução no sentido de proporcionar aos alunos aulas mais rentáveis e de ainda melhor qualidade, existe a consciência que alguns dos erros cometidos eram hábitos e como tal poderão levar algum tempo a ser corrigidos. Contudo, existe a consciência e a vontade em debelá-los da minha prática docente.
II - As dificuldades na aquisição de competências harmónicas entre alunos de instrumentos melódicos foi sempre um tema que me despertou interesse. Quando na escola onde lecciono propus a criação de uma disciplina que trabalhasse apenas a componente prática da formação musical através do recurso ao piano, recebendo alunos de diversos níveis, fi-lo com a intenção de desenvolver a componente harmónica e dar aos alunos a capacidade de utilizar o piano e não tocar piano. Hoje, esses mesmos alunos que iniciaram a disciplina há 3 anos dominam o piano como ferramenta: harmonizam criando motores rítmicos de acordo com estilo; reduzem partituras; realizam baixocifrado; tocam canções de standards de Jazz ou latinos-americanos através de cifras tentando dar o balanço necessário. Esses alunos têm agora uma visão “real” da harmonia que não se baseia apenas na audição e observação. Estes alunos “fizeram” e experimentaram a harmonia. Esta experiência de sucesso foi a principal motivação para a investigação que se veio a realizar e onde procurei descobrir “Que impacto pode ter a utilização do piano (pelos alunos) na aula de formação musical para o desenvolvimento da audição harmónica? Para responder a esta pergunta investiguei sobre metodologias de investigação de forma a conseguir criar um “desenho” para o estudo. O facto de o tema proposto a investigar não ter sido ainda tratado noutros trabalhos levou-me a considerar optar por realizar um estudo de carácter exploratório. Seguidamente optou-se por utilizar uma metodologia mista que permite uma complementariedade dos dados e uma triangulação dos mesmos. A complementariedade e a triangulação de dados é um factor garante da validade, confiabilidade e possível generalização do estudo. A triangulação é uma sobreposição de diferentes triângulos (dados ) em que existem zonas comuns que podem ser bons indicadores para validar, contrariar uma hipótese ou clarificar uma tendência. Foram usadas três formas de recolher informação: fichas de observação estruturada, pré-testes e pós-testes e entrevistas. Da análise dos resultados da informação recolhida concluiu-se que: (1) houve evolução na aquisição de competências harmónicas; (2) os alunos tendem a considerar a utilização do piano como muito importante para o desenvolvimento destas estratégias;(3) a dimensão das turmas parece influir nos resultados: a turma de maior dimensões apresenta menor evolução; (4) a dinâmica da aula na turma de maiores dimensões é afectada pela utilização do piano pelos alunos: ritmo de aula tende a ser baixo e os níveis de atenção a serem também mais baixos em relação às turmas de menores dimensões. Portanto, da análise e reflexão dos dados recolhidos e da bibliografia revisitada podemos concluir que a utilização do piano pelos alunos nas aulas de formação musical parece provocar um impacto positivo no desenvolvimento de competências harmónicas e metacognitivas, nos níveis de motivação e na dinâmica das aulas.
ABSTRACT I - What made me come back to Escola Superior de Música de Lisboa to do a Masters Degree was not any kind of obligation but the possibility of getting to work with teachers that helped me to become the musician and the teacher I am now, and the possibility of discuss with my supervisor issues regarding my teaching. This was important to me because I realized that sometimes experience gets us blind, making us unable to see our mistakes as teachers. When I started my professional practice I was confident about my teaching skills. However, after analyzing the lessons I videorecorded I found myself making some mistakes as teacher. For example, the quality of my instructions (usually too long), the missing quality and efficacy of my feedback, the reduced number of students that really achieved the goals, and lastly the pace of teaching which was low most of the times. Throughout the professional practice I started to introduce some changes in my teaching. Started to feel that the teaching pace had increased, not only at expense of teacher’s effort, but because the strategies chosen were better, and I talked far less. The mistakes from students were corrected more promptly, even throughout the activity, there were changes also in the way feedback was given, the space in the room was changed in order to get the students closer to the teacher, and there were less sudden changes of the plan (for new activities). Although I can now see improvements in my teaching, I became now aware that my teaching problems resulted from bad teaching habits. This means that a full change in my teaching will only be possible in the next years. My intention now is to reach that point.
ABSTRACT II - The difficulties behind the acquisition of harmonic skills by students that played melodic instruments was always something that interested me. When I suggested to start a new module that started to help students to practice ear training through playing the piano, I had already in mind that I could use such module to help students acquire harmonic skills. Interestingly, many of those students that attended to that module they achieved very good skills in terms of harmonization processes, they reduce scores, harmonize songs and standards, among other things. These students see now harmony as something real. This successful experience of mine was the starting point for this investigation. My aim was to find out “how playing the piano would help the students to acquire and develop harmonic skills”. To answer that I designed an exploratory study which was anchored in three main methods: structured observation, quasi-experimental design (pre test and post test), and interviews. The results allowed me to learn that: (1) students successfully acquired and developed harmonic skills, (2) students tended to see the piano as highly important to acquire and develop harmonic skills, (3) how successful the use of piano in Formação Musical lessons is seems to depend on the number of students in each class. Larger classes seem to make difficult to get cracking results, (4), the lesson dynamics seems to be affected (negatively) by the inclusion of activities on the piano, the pace tends to be slower and the students’ attention levels seem to decrease too. Therefore, the analysis of the results allowed me to conclude that the use of the piano by the students in Formação Musical lessons (with small groups) may produce a positive impact to the development of harmonic skills, to students metacognitive skills, motivation levels and lesson dynamics.
Peer review: no
URI: http://hdl.handle.net/10400.21/4463
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